terça-feira, 11 de março de 2014

Espelho meu, espelho meu, haverá pior mãe do que eu?

A mãe fantasiosa e imaginativa que sou disse ao filho que o baú com a roupa de Harry Potter que ele recebeu uns dias antes do Carnaval veio de Hogwarts pelo correio directamente para ele.

O filho tecno-céptico mas que escolhe acreditar nas fantasias da mãe andou delirante com a ideia de que tivesse sido o Hagrid a preparar todo o set de Harry Potter para ele usar.

A mãe fantasiosa e imaginativa que sou, no Natal, disse ao filho que acreditava no Pai Natal quando o crianço lhe contou que os meninos (fedelhos!) na escola lhe tinham dito que essa personagem não existia. Disse-lhe que embora muita gente não acreditasse, eu preferia acreditar.

O filho tecno-céptico mas que escolhe acreditar nas fantasias da mãe declarou, então, que ele também escolhia acreditar que o Pai Natal existia.

A mãe fantasiosa e imaginativa que sou disse ao filho que também ela tinha uma varinha mágica e sabia fazer magia.

Perante os comentários inquisidores de primo Calipo e insistência para que eu provasse que era verdade, filho tecno-céptico mas que escolhe acreditar nas fantasias da mãe, explicou-lhe com toda a certeza que não podia ser, que eu não podia demonstrar, porque era proibido fazer magia fora de Hogwarts.

A mãe fantasiosa e imaginativa que sou disse-lhes que sim. Que Hogwarts existia.

O filho tecno-céptico mas que escolhe acreditar nas fantasias da mãe disse que sabia porque não podia ir para Hogwarts. Obviamente, porque ele ainda só tem 8 anos e o Harry Potter já tinha 11 quando foi para lá. Faltam-lhe portanto 3 anos, "não é, mãe?" (Tenho 3 anos para descalçar a bota.)

A mãe fantasiosa e imaginativa que sou põe-lhe sonhos marcados na testa para que ele só tenha sonhos bons e os pesadelos fiquem afastados.

A mãe, que acha que deve ser responsável e educá-lo para a vida e que também mora dentro de mim, põe muita vezes em causa a mãe fantasiosa e imaginativa que sou. A mãe imaginativa, no entanto, fica delirante porque o seu filho tecno-céptico já consegue inventar histórias de 17 linhas sozinho. A mãe imaginativa fica orgulhosa com a capacidade de argumentação que ele vai desenvolvendo.

A mãe imaginativa está é de castigo sem termo certo desde esta manhã quando a mãe, que acha que deve ser responsável e educá-lo para a vida, descobriu que ele tinha um trabalho de casa sobre animais reais que fez na sala de estudo e que o fez sobre o chupa-cabras...

O filho tecno-céptico mas que escolhe acreditar nas fantasias da mãe estava (e passo a citar) "muito preocupado com aquele trabalho" (se o cabrão do puto não podia ter ficado muito preocupado antes de chegar à porta da escola...). A mãe, que acha que deve ser responsável e educá-lo para a vida, deixou a mãe fantasiosa sair do quarto escuro para dizer a criança: "Dizes a professora que muita gente acredita que existe um animal que chupa o sangue às cabras porque não conseguem explicar que animal existente o poderia fazer." Obviamente que a mãe, que acha que deve ser responsável e educá-lo para a vida, gritou logo: "NÃO FALAS EM VAMPIROS, ÓVISTES??????"

1 comentário:

Ana Sousa disse...

Xiii pá!!! Tinha tantas saudades destes posts!!