E, como em tudo na vida, se há a parte preferida também existe aquela que menos gostamos, certo?
O after. Decididamente, o after! Não é o imediatamente após. Não. Essa parte é gira. O recapitular. O sorrir. O relembrar…
Mas depois, tal como acontece com uma grande bebedeira, vem o day after. E a sensação de… Eu bem tento encontrar uma expressão em português para a sensação mas não consigo. Só consigo pensar na palavra em inglês. A sensação de akwardness. E eu detesto a sensação de akwardness. É que eu não sou grande espingarda a pensar antes de falar. E nestes momentos, acho sempre que talvez seja melhor medir as palavras. Talvez, à cautela, seja melhor evitar dizer a primeira coisa que me venha à cabeça. O que, se já em dias normais, não é lá essas coca-colas, em dias em que me dói a ponta dos cabelos, assume proporções de tragédia grega.
Não, eu não gosto dos days afters aos big dates. Nós podemos conhecer a pessoa há anos. Podemos saber tudo da sua vida. Podemos conhecer cada recanto da sua alma. Ponham essas duas pessoas num encontro e, no dia a seguir, dá cagada, de certezinha. Podem falar todos os dias, várias vezes ao dia, no day after não sabem se devem falar ou do que devem falar. Hesitam, engonham, falam do tempo.
Nop… Eu não gosto dos days after. Tal como na ressaca de uma noite de copos, o sol mostra-nos que, apesar de na noite anterior termos sido rainhas, princesas, deusas, quando o dia nasce somos apenas todos humanos. Frágeis, vulneráveis e, acima de tudo, com uma capacidade monstruosa de errar.

1 comentário:
Já fizeste merda, foi? Não te posso deixar sozinha nem por um momento?
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