Nós cruzámos-nos tantas vezes ao longo dos últimos 20 anos sem nunca nos vermos que uma gaija até podia começar a acreditar naquela coisa chamada Destino.
Nós cruzámos-nos tantas vezes ao longo dos últimos 20 anos sem nunca nos vermos que uma gaija até podia começar a acreditar naquela coisa chamada Destino.
"Charlie: Hello, Pete Mitchell. I heard the best of the best were going to be back here, so uh...
Mavericks: This could be complicated. You know on the first one I crashed and burned.
Charlie: And the second?
Maverick: I don't know, but uh, it's looking good so far."
(Top Gun)

Iam os dois no mesmo avião. E se acontecesse alguma coisa? Estavam lá os dois! Quem tomava conta de Picolé?
Se tu fores ao armário dos medicamentos e tomares um nolotil, passa-te a dor que te incomoda. Se eu for ao armário dos medicamentos e tomar um nolotil, desencadeio uma reacção alérgica que me transforma num pequeno monstro.
Nós não reagimos da mesma forma às mesmas coisas. Aquilo que me magoa e me perturba a mim não é necessariamente o mesmo que te magoa e perturba a ti.
Se tu fazes algo que, nos meus cânones, não é algo que me perturbe ou fira, eu não penso automaticamente que isso me confere o direito de fazer igual.
Em primeiro lugar, porque eu não acho que isto seja uma competição e "ai se tu fizeste, eu não me fico que eu não sou gaija de me ficar". Não faz mesmo o meu género. Independentemente de quão ferida esteja.
Em segundo lugar, porque mesmo que esteja para aí virada, pondero até que ponto isso te afecta a ti. Até que ponto, segundo os teus padrões, isso é coisa para te magoar. Porque, lá está, o facto do nolotil não afectar uma pessoa, não quer dizer que não desfigure outra. E, em sendo algo, que te "desfigure", segundo os valores (talvez distorcidos) porque me rejo, não é pagar na mesma moeda. Embora o facto seja análogo, os resultados são muito diferentes.
Talvez as relações tivessem percursos muito menos fatais se as pessoas deixassem de pensar que se deve viver pela lei de Talião. É que há quem tenha dentes grandes e fortes e, em calhando, mais um menos um não é coisa para fazer mossa. Já para aqueles a quem só lhes resta um par de caninos, se calhar, o que vêem com dois olhos conseguem ver só com um. Digo eu...
Quando cheguei a casa depois de mais de 2 semanas no hospital, a nossa cama estava impecavelmente feita. A minha roupa estava toda lavada, passada e arrumada. Uma grande parte dela tinha virado cor de rosa que a empregada pôs um vestido vermelho escuro que debota junto com todos os outros na máquina e eu ganhei uma colecção invejável de vestidos com fundo rosado e ela ficou convencida que eu a despediria por isso. Só houve flores no dia a seguir que nós só soubemos que eu ia para casa 20 minutos antes de eu sair do hospital.
No dia a seguir foi dia de empregada. Depois de perceber que não seria dispensada depois do ataque rosa à minha roupa, confidenciou-me que o senhor devia gostar muito de mim (como se houvesse alternativa...) e que durante todo o tempo que eu estive internada, dormiu no sofá porque não conseguia dormir na nossa cama sem mim.
E foi nessa altura que pensei: Eu tenho que lhe dizer que caso com ele...
"If you love someone, you tell them.
Even if you're scared that it's not the right thing.
Even if you're scared that if will cause problems.
Even if you're scared that it will burn your life to the ground.
You say it and you say it loud.
And then you go from there..."
(Mark Sloane in Grey's Anatomy)
Cagagésimo de segundo é o tempo de decorre entre um semáforo ficar verde e o primeiro filho da puta apitar.
Por oposição, um quadrilião de vidas e mais infinitos é o tempo que decorre entre o momento em que acabamos de dizer a palavra "amo-te" e a reacção da pessoa a quem o dissemos.
Mas continuo a desejar que as pulgas de 1000 camelos ataquem a zona anal da pessoa que pediu emprestado o cd da banda sonora do Romeu & Julieta do Baz Luhrmann e me devolveu apenas a caixa. E, qual tiranossaurus rex, espero que os bracinhos dessa pessoa sejam mínimos...