segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sim, estamos todos vivos!

Dezembro foi mês de arrumações, de Natal, de namoro, de montar legos, de muitas crianças. O ano acabou e tudo continuou em reboliço. Agora que começa tudo a voltar à normalidade possível, começo a ganhar algum tempo.

Este ano, não houve balanços nem desejos. Tenho tudo o que preciso e isso basta-me*. Aliás, o que poderia desejar chegou a 9 de Janeiro com a minha neurologista a dizer que estou óptima, que só precisa de me ver daqui a um ano e que daqui a pouco mais de um mês posso reduzir a medicação. Aqui esta pessoinha não precisa de mais nada mesmo.

Aliás, precisar, precisava de um vestido para casar mas tenho para mim que isso também se há-de arranjar. Se não arranjar, também já decidi que caso com um bonito penteado, mui bem maquilhada, lingerie fantástica, sapatos de cortar a respiração e uma simples t-shirt a dizer Chimarrão ou assim... 

É que nem precisava de ser tão sofisticado!


*Excepto o cesto do lixo para o escritório e o espremedor de alhos que foram as únicas coisas que pedi para o Natal e ninguém me deu, pá!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Amor é...

Receber uma mensagem a dizer:

"Tu tens menos celulite que a Scarlett Johansson! Com a adicional que o teu rabo é mais giro!"


Parece uma anedota, não parece?

O que fazem um matemático, um informático, uma gaija de línguas e de direito e uma de comunicação social numa segunda-feira?

Obviamente, desenvolvem equações que permitam aferir o grau de compatibilidade sexual entre duas pessoas. 


sábado, 12 de outubro de 2013

Como é que eu sei que tenho as amigas que mereço?

Porque depois de lerem o post e descobrirem que eu disse o 'sim', a primeira coisa que lhes passa pela cabeça fazer é mandarem esta foto simplesmente acompanhada de "Oh my god!!! Oh my god!!! Oh my god!!!"

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Carta a um Noivo

Quero a minha vida nas tuas mãos. Foi nesse momento que decidi. No momento em que pensei 'isto pode ser o fim da linha', arrependi-me de todas as vezes que te disse que não. Em que pensei que havia muito tempo para isso. Não havia. Não naqueles dias em que falar era para mim um esforço sobrehumano. Em que só tu me sabias ler os olhares. Não havia tempo e eu tinha dito que não por achar que o havia. Tinha posto nas tuas mãos um coração de plástico e agora que queria que fosses o único a segurar o verdadeiro, não o podia fazer porque na minha cabeça sempre houve muito tempo. 

Eu era imortal e tu fizeste-me deusa e depois princesa e depois estava deitada debaixo de luzes com gente a correr para mim e a segurar a minha mão e a fazer-me festas no cabelo. As morenas, baixinhas e simpáticas que estão naquele estado acabam num sitio onde não há sangria de frutas e os lençóis estão imóveis e não revoltos com cheiro a sexo. As morenas, baixinhas e simpáticas que estão naquele estado são meras mortais, não deusas, e eu já não era sequer princesa e muito menos imortal.

Mas depois os dias foram passando e as palavras tornaram-se mais fáceis. Eu já não era imortal mas estava viva. Já não era deusa nem princesa mas o meu coração batia e eu tinha a oportunidade de o colocar nas mãos de quem queria. Eu podia dá-lo a quem me segurava a mão e me lia os olhos quando as palavras doiam. E agora que as palavras já não doem, os meus nãos viraram sim nos teus braços numa cama de lençóis revoltos. Agora que sou mortal e humana e plebeia sei que pode não haver tempo. Agora que sou tudo isso quero viver muito tempo contigo a segurar o meu coração. Quero fazer muitas coisas e "I have promises to keep, and miles to go before I sleep, and miles to go before I sleep" e os olhos que eu quero que leiam os meus ao longo dessa viagem são os teus. E as mãos onde eu quero o meu coração e descansar os meus dedos são as tuas. Porque nenhumas outras são precisamente isso: tuas.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

E onde andavas quando o teu cérebro deu o nó?


Estilo, minha gente. Ice a fazer tudo com estilo desde mil nove e setenta e cinco. Até a ter tromboses e AVC's.

(Já estou em casa, meus amores. Obrigada pelas mensagens de melhoras.)

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Dia 11 - 9 de Setembro

Conheci a Enfermeira-Chefe, doravante designada por Dragona. Uma bolinha de golfe em cima de saltos altos pareceu-me a melhor definição até agora. 

Tive a primeira Visita Medica que consiste em um Professor conceituado e 100 médicos nos examinarem. E pus-me em pé pela primeira vez desde Terça-feira. Professor disse-me que tinha esperança que eu recuperasse bem. Também eu...

Ninguém falou de previsão de alta ou do que for. É continuar com uma injecção na barriga de manhã e  à noite e diuréticos três vezes ao dia. 

Dia 9 e 10 - 7 e 8 de Setembro

Era sábado. A minha memória era uma coisa estranha. Via o nome das coisas escritas na minha mente mas não as conseguia ler. Por exemplo: o nome do actor conhecido que fez de Joker no Batman? Era aquele que fez o Shinning e aquela comedia com a Helen e era um antipático mas apaixonou-se por ela e o nome começa por N. O segundo nome, obviamente. Se era mais fácil eu lembrar-me de Jack Nickolson? Era. Mas não era a mesma coisa! E assim se passou o fim de semana comigo a ser mimada pelas minhas visitas. 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Dia 8 - 6 de Setembro

Dia do casamento do pai de Picolé. E eu que tinha prometido a pirralho que ía... No dia anterior, inventei um pé torcido e disse-lhe num período em que conseguia falar. Morro de saudades dele...

A transferência para a neurologia foi acompanhada das dores excruciantes que tenho de cada vez que me mexem.

Chego lá e não me lembro se era manhã ou tarde ou noite. Só me lembro de chorar baba e ranho quando a enfermeira de serviço me perguntou se eu tinha filhos e depois de acordar com a minha irmã a meu lado.

Dia 7 - 5 de Setembro

Basicamente, era esperar. Esperar que viesse a Neurocirurgia e ver que diziam. As dores não cediam e a coisa não era fácil.

Já de noite, apareceu o Neurocirurgião que me disse que nada havia para eles fazerem. Haveria, agora, de esperar a Neurologia.

Às 11 e tal apareceu a médica.

O diagnóstico era simples uma Trombose Venosa Cerebral e um AVC. O chamado fixe comó caralho.

Ia ser internada na neurologia no mínimo durante 15 dias a levar injecções na barriga.

Na altura, honestamente, eu nem percebi bem o que aquilo significava. tudo o que eu sabia é que era na cabeça e, nessa parte, a malta não brinca.

E levei logo uma injecção na barriga para ficar esperta.

Nessa noite ainda dormi na observação com o aviso que seria transferida na manhã seguinte.

De referir (e atenção que isto posso ter sido eu a alucinar que a malta que anda com o cérebro mole tem tendência para isso), que houve um médico que me foi ver duas ou três vezes que eu não faço ideia de quem seja. A bem dizer nem sei se era médico. Eu deduzo que sim. E que me disse que a causa de tudo tinha sido a pílula. Também foi ele que me explicou das duas hemorragias. Nunca o vi na Neurologia. Não sei quem era nem que estava lá a fazer.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Dia 6 - 4 de Setembro

Não perguntem. Só me lembro de dor e sede e uma viagem de ambulância saída das profundezas dos infernos para ir fazer a ressonância magnético. Sem beber agua há mais de 12 horas. Sem drogas há mais de 12 horas. Sem comer há mais de 24 horas. Mas a dor... Senhores, a dor...

E depois de comer e do doce alivio das drogas intravenosas, a verbalização da coisa: um derrame no cérebro e uma trombose cerebral. Ninguém tem essas coisas aos 38 anos, pois não?

Restava agora aguardar para ver se era cena de operar ou não. E acreditem: quando nos falam em operação ao cérebro, nós borramo-nos todos (outra vez).

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Dia 12 - 10 de Setembro

Tive autorização para andar. Almocei e jantei no refeitório e passeei no jardim. Acho que estou a ver um bocadinho melhor mas não garanto. Pode ser só impressão. 

Soube que o meu cérebro tem marcas de outras lesões mais antigas. Pequenos derrames. Logo veremos o que isso significa. 

A neurologista está a aguardar a consulta  de oftalmologia para ver que se passa com a vista. Falámos do futuro. Vou ser seguida com olhos de lince durante o próximo ano. Quanto a impacto na vida diária, mais uma vez aguardamos o resultado dos testes à visão. 

Dia 5 - 3 de Setembro

Acordei com os senhores das entregas a trazerem a maquina de lavar. Eram quase 11. Eu sabia que o meu homem tinha uma reunião às 11. Desci para ser eu a receber a maquina. Ele não deixou. Recebeu a maquina. Foi para a reunião e eu sentei-me na sala a fazer contas a quanto tempo faltava para tomar mais comprimidos. 

Por volta da uma, a dor de cabeça piorou substancialmente e comecei a ver uma luz (sim, é caso para dizer que eu vi a luz, irmãos!) quando estava a tentar perceber que raio de clarão era aquele, apercebi-me de que não sabia ler. Neste ponto, não era uma questão de não conseguir: eu não sabia mesmo! Foi num post do Às nove no meu blog. A palavra era Setembro. Eu sabia que conhecia a palavra. Conhecia a grafia mas não conseguia lembrar-me do nome de uma única letra nem o som que lhe correspondia. 

Isso, sim, valei uma SMS para o senhor na reunião a dizer que eu achava melhor ir ao hospital. Sim, nesta fase, eu estava borradissima de medo. Depois de mandar a mensagem adormeci/desmaiei no sofá  da sala. 

Quando homem chegou, eu ainda quis esperar para ver como estava.Já  reconhecia as letras. Não via era mesmo um boi à frente. Uma gigantesca amalgama de luz e cor. E a cabeça a estalar. 

Dei entrada no hospital e pareceu uma eternidade até me chamarem.  A médica que me chamou não me pode atender.  Essa pode ter sido a minha sorte grande. Gaijo lá lhe disse o que se passava que eu nem conseguias falar com  as dores. Dra me botou com drogas na veia mas népias. Tudo na mesma. Por volta da meia-noite, doutora me diz todos os exames estão normais. Faz-me mais uma serie de testes neurológicos que nada acusam. Falo-lhe no facto de ler como se tivesse 6 anos. Ela  diz que não é invulgar haver perturbações de visão num quadro de enxaqueca. Mas para ficarmos descansados, me ia mandar fazer um taq.  

Quando o taq terminou, eu soube que já não voltaria a casa tão cedo. O técnico, a enfermeira e o auxiliar saltaram para a sala onde eu estava e deram-me a mão e perguntaram porque tinha ido ali. E eu pensei: tu deves ter a cabeça toda fodida, Ice  Maria...

Passado um bocado a medica veio falar connosco. Que não tinha boas notícias. Havia sangue no meu cérebro. Iam internarem para depois me fazerem uma ressonância magnético. Fui admitida de imediato para observação e alguém (não sei quem) me disse que eu tinha dois pontos distintos no cérebro a sangrar. Ou seja, duas hemorragias distintas. E essa foi a primeira noite de hospital e de pânico. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Dia 4 - 2 de Setembro

Era supostamente o ultimo dia do projecto princesa mas decidimos pedir para adiamento sine dia do resto do programa e ir para casa que eu não podia com uma gata pelo rabo. 

No caminho de regresso a casa senti-me um pouco melhor e sugeri ainda irmos comprar a maquina de sacar que tínhamos planeado comprar. E fomos. E sei que comprámos uma maquina linda. Eu é que não me membro nada dela. Sei que também fomos ao Ikea. Também não me lembro que comprei. 

Nem me lembro de muita coisa dessa noite. Sei que tomei um banho de imersão. Não me lembro se jantei. Nem como fui para a cama. Tudo uma grande branca... 

Dia 2 e 3 - 31 de Agosto e 1 de Setembro

Digamos que gaijo quando me quer fazer sentir uma princesa, sabe como arranjar um castelo. Tinha tudo para ser um fim de semana de sonho. E foi. Apesar da enxaqueca continuar a piorar. Aí já estava em drogas para crescidos mas embora houvesse alivio a coisa não passava totalmente. 

O que não impediu um dia de preguiça na piscina, passeio de coche e jantar romântico. Cenas princesis. 

Dia 1 - 30 de Agosto

Fim-de-semana romântico no horizonte. Eu nem sabia onde ia. A saída seria no sábado e o regresso na segundo. E eu com um principio de enxaqueca. Fantástico, não é?

Aviso à navegação

Parece que há uma anedota de um homem que sabia escrever mas não sabia ler. Assim estou eu. Portanto, até nova indicação, nenhum dos textos deste blog será revisto ou corrigido. A explicação vem já a seguir. 

sábado, 24 de agosto de 2013

E Picolé?

Está de férias com o pai. Há uma semana inteirinha...


E há quem esteja a morrer de saudades.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Os senhores da foto, claramente, nunca visitaram esta casa...


O mais novo, pelo contrário está mais para devil spawn. Hoje caiu-lhe um dente.

Depois de conseguir escapar (miraculosamente) vivo à loucura a que nos levou, papai tentou mais uma conversa pedagógica quando o foi deitar. Depois de um belo discurso, perguntou se ele tinha alguma coisa a dizer sobre o que tinha acabado de lhe dizer. Claro que tinha que ele não é moço de se calar!

- Sim. Esqueceste-te de pôr o dente debaixo da minha almofada para vir a Fada dos Dentes.

Eu compreendo que havia duas hipóteses:

a) Eu estava agora a contratar um excelente advogado criminal;

Ou

b) Ele descia as escadas, dirigia-se à sala e matava a mosca que infernizou todos ao jantar com o Expresso Emprego.

E enquanto a chacina b) decorria, eu arrumava a cozinha e pensava para com os meus botões (sim, que não se antagoniza um homem armado com o Expresso Emprego):

- Cada vez que um Mini Milk abre a boca, há uma mosca que perde as asas...

Para memória futura...

O dia em que a mais velha (que só tomou a iniciativa de me abraçar há poucos meses) me abraçou e disse que gostava muito de estar e falar comigo e me pediu que nunca, mas nunca mesmo, a deixasse de a corrigir e a ensinar.


P.S.: Também foi o dia em que lhe mostrei um preservativo, lhe disse para que servia, mostrei como se punha e lhe expliquei que aquele seria, um dia, o seu melhor amigo. Ela achava que era em comprimidos, porra! E depois? Depois já veio uma pergunta timida mas mais dificil. Ou seja, the sex season is open...