segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Dia 7 - 5 de Setembro

Basicamente, era esperar. Esperar que viesse a Neurocirurgia e ver que diziam. As dores não cediam e a coisa não era fácil.

Já de noite, apareceu o Neurocirurgião que me disse que nada havia para eles fazerem. Haveria, agora, de esperar a Neurologia.

Às 11 e tal apareceu a médica.

O diagnóstico era simples uma Trombose Venosa Cerebral e um AVC. O chamado fixe comó caralho.

Ia ser internada na neurologia no mínimo durante 15 dias a levar injecções na barriga.

Na altura, honestamente, eu nem percebi bem o que aquilo significava. tudo o que eu sabia é que era na cabeça e, nessa parte, a malta não brinca.

E levei logo uma injecção na barriga para ficar esperta.

Nessa noite ainda dormi na observação com o aviso que seria transferida na manhã seguinte.

De referir (e atenção que isto posso ter sido eu a alucinar que a malta que anda com o cérebro mole tem tendência para isso), que houve um médico que me foi ver duas ou três vezes que eu não faço ideia de quem seja. A bem dizer nem sei se era médico. Eu deduzo que sim. E que me disse que a causa de tudo tinha sido a pílula. Também foi ele que me explicou das duas hemorragias. Nunca o vi na Neurologia. Não sei quem era nem que estava lá a fazer.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Dia 6 - 4 de Setembro

Não perguntem. Só me lembro de dor e sede e uma viagem de ambulância saída das profundezas dos infernos para ir fazer a ressonância magnético. Sem beber agua há mais de 12 horas. Sem drogas há mais de 12 horas. Sem comer há mais de 24 horas. Mas a dor... Senhores, a dor...

E depois de comer e do doce alivio das drogas intravenosas, a verbalização da coisa: um derrame no cérebro e uma trombose cerebral. Ninguém tem essas coisas aos 38 anos, pois não?

Restava agora aguardar para ver se era cena de operar ou não. E acreditem: quando nos falam em operação ao cérebro, nós borramo-nos todos (outra vez).

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Dia 12 - 10 de Setembro

Tive autorização para andar. Almocei e jantei no refeitório e passeei no jardim. Acho que estou a ver um bocadinho melhor mas não garanto. Pode ser só impressão. 

Soube que o meu cérebro tem marcas de outras lesões mais antigas. Pequenos derrames. Logo veremos o que isso significa. 

A neurologista está a aguardar a consulta  de oftalmologia para ver que se passa com a vista. Falámos do futuro. Vou ser seguida com olhos de lince durante o próximo ano. Quanto a impacto na vida diária, mais uma vez aguardamos o resultado dos testes à visão. 

Dia 5 - 3 de Setembro

Acordei com os senhores das entregas a trazerem a maquina de lavar. Eram quase 11. Eu sabia que o meu homem tinha uma reunião às 11. Desci para ser eu a receber a maquina. Ele não deixou. Recebeu a maquina. Foi para a reunião e eu sentei-me na sala a fazer contas a quanto tempo faltava para tomar mais comprimidos. 

Por volta da uma, a dor de cabeça piorou substancialmente e comecei a ver uma luz (sim, é caso para dizer que eu vi a luz, irmãos!) quando estava a tentar perceber que raio de clarão era aquele, apercebi-me de que não sabia ler. Neste ponto, não era uma questão de não conseguir: eu não sabia mesmo! Foi num post do Às nove no meu blog. A palavra era Setembro. Eu sabia que conhecia a palavra. Conhecia a grafia mas não conseguia lembrar-me do nome de uma única letra nem o som que lhe correspondia. 

Isso, sim, valei uma SMS para o senhor na reunião a dizer que eu achava melhor ir ao hospital. Sim, nesta fase, eu estava borradissima de medo. Depois de mandar a mensagem adormeci/desmaiei no sofá  da sala. 

Quando homem chegou, eu ainda quis esperar para ver como estava.Já  reconhecia as letras. Não via era mesmo um boi à frente. Uma gigantesca amalgama de luz e cor. E a cabeça a estalar. 

Dei entrada no hospital e pareceu uma eternidade até me chamarem.  A médica que me chamou não me pode atender.  Essa pode ter sido a minha sorte grande. Gaijo lá lhe disse o que se passava que eu nem conseguias falar com  as dores. Dra me botou com drogas na veia mas népias. Tudo na mesma. Por volta da meia-noite, doutora me diz todos os exames estão normais. Faz-me mais uma serie de testes neurológicos que nada acusam. Falo-lhe no facto de ler como se tivesse 6 anos. Ela  diz que não é invulgar haver perturbações de visão num quadro de enxaqueca. Mas para ficarmos descansados, me ia mandar fazer um taq.  

Quando o taq terminou, eu soube que já não voltaria a casa tão cedo. O técnico, a enfermeira e o auxiliar saltaram para a sala onde eu estava e deram-me a mão e perguntaram porque tinha ido ali. E eu pensei: tu deves ter a cabeça toda fodida, Ice  Maria...

Passado um bocado a medica veio falar connosco. Que não tinha boas notícias. Havia sangue no meu cérebro. Iam internarem para depois me fazerem uma ressonância magnético. Fui admitida de imediato para observação e alguém (não sei quem) me disse que eu tinha dois pontos distintos no cérebro a sangrar. Ou seja, duas hemorragias distintas. E essa foi a primeira noite de hospital e de pânico. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Dia 4 - 2 de Setembro

Era supostamente o ultimo dia do projecto princesa mas decidimos pedir para adiamento sine dia do resto do programa e ir para casa que eu não podia com uma gata pelo rabo. 

No caminho de regresso a casa senti-me um pouco melhor e sugeri ainda irmos comprar a maquina de sacar que tínhamos planeado comprar. E fomos. E sei que comprámos uma maquina linda. Eu é que não me membro nada dela. Sei que também fomos ao Ikea. Também não me lembro que comprei. 

Nem me lembro de muita coisa dessa noite. Sei que tomei um banho de imersão. Não me lembro se jantei. Nem como fui para a cama. Tudo uma grande branca... 

Dia 2 e 3 - 31 de Agosto e 1 de Setembro

Digamos que gaijo quando me quer fazer sentir uma princesa, sabe como arranjar um castelo. Tinha tudo para ser um fim de semana de sonho. E foi. Apesar da enxaqueca continuar a piorar. Aí já estava em drogas para crescidos mas embora houvesse alivio a coisa não passava totalmente. 

O que não impediu um dia de preguiça na piscina, passeio de coche e jantar romântico. Cenas princesis. 

Dia 1 - 30 de Agosto

Fim-de-semana romântico no horizonte. Eu nem sabia onde ia. A saída seria no sábado e o regresso na segundo. E eu com um principio de enxaqueca. Fantástico, não é?

Aviso à navegação

Parece que há uma anedota de um homem que sabia escrever mas não sabia ler. Assim estou eu. Portanto, até nova indicação, nenhum dos textos deste blog será revisto ou corrigido. A explicação vem já a seguir. 

sábado, 24 de agosto de 2013

E Picolé?

Está de férias com o pai. Há uma semana inteirinha...


E há quem esteja a morrer de saudades.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Os senhores da foto, claramente, nunca visitaram esta casa...


O mais novo, pelo contrário está mais para devil spawn. Hoje caiu-lhe um dente.

Depois de conseguir escapar (miraculosamente) vivo à loucura a que nos levou, papai tentou mais uma conversa pedagógica quando o foi deitar. Depois de um belo discurso, perguntou se ele tinha alguma coisa a dizer sobre o que tinha acabado de lhe dizer. Claro que tinha que ele não é moço de se calar!

- Sim. Esqueceste-te de pôr o dente debaixo da minha almofada para vir a Fada dos Dentes.

Eu compreendo que havia duas hipóteses:

a) Eu estava agora a contratar um excelente advogado criminal;

Ou

b) Ele descia as escadas, dirigia-se à sala e matava a mosca que infernizou todos ao jantar com o Expresso Emprego.

E enquanto a chacina b) decorria, eu arrumava a cozinha e pensava para com os meus botões (sim, que não se antagoniza um homem armado com o Expresso Emprego):

- Cada vez que um Mini Milk abre a boca, há uma mosca que perde as asas...

Para memória futura...

O dia em que a mais velha (que só tomou a iniciativa de me abraçar há poucos meses) me abraçou e disse que gostava muito de estar e falar comigo e me pediu que nunca, mas nunca mesmo, a deixasse de a corrigir e a ensinar.


P.S.: Também foi o dia em que lhe mostrei um preservativo, lhe disse para que servia, mostrei como se punha e lhe expliquei que aquele seria, um dia, o seu melhor amigo. Ela achava que era em comprimidos, porra! E depois? Depois já veio uma pergunta timida mas mais dificil. Ou seja, the sex season is open...

segunda-feira, 29 de julho de 2013

"No blood. No sticky, hot, messy, awful blood; no blood at all. Why hadn't I thought of that? No blood. What a beautiful idea!"*

2013
Ice: Filho, já te disse que não se resolvem os problemas com violência...
Picolé: Não foi violência, mãe! Foi um beliscão no nariz! Eu nem lhe bati nem nada...

(Na minha mente, a sala de visitas de Pero Pinheiro...)
2024
Picolé: Não foi homicidio, mãe! Eu só cortei uns bocadinhos...

(Engendrando o bolo que esconderá a arma para a fuga...)
(Foto da net)
*Dexter in "Dexter"

sábado, 6 de julho de 2013

Como é que eu sei que ele passa demasiado tempo nesta terra?

Quando me diz coisas como:

"Tu és um universo de lindura por dentro e por fora!"

Nestas alturas, interrogo-me se não será motivo para pedir a evacuação médica do gaijo...

(E quando se faz uma busca no Google com a expressão, crasha a net da casa. Desculpinhas aos outros hóspedes. São vicissitudes de viverem debaixo do mesmo tecto que um universo de lindura!)

 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Quem nasceu para osga bebé, não chega a jacaré!

(Foto da net)

Não sei de Nancy. Não a vejo desde ontem, por volta das duas da manhã, quando lhe disse boa noite e me virei para o outro lado e dormi.

Tenho para mim que a pikena ficou traumatificada quando dez minutos depois de eu a ter adoptado, a ex-esposa de Gaijo que dorme comigo lhe ligou e, em directo e alta-voz, matou à cacetada uma osga que lhe passeava pelo quintal. E olhei para o último sítio onde tinha visto minha Nancy e sussurrei-lhe "Esconde-te. Não saias daí. Tapa os ouvidos!"

Quando me estava a aninhar para dormir, vi a bichinha sair do seu esconderijo e saiu-se-me um "olha a Nancy!"

O gaijo, meio a dormir, pergunta-me: "queres que a vá matar?" (Aquilo devia ser uma carnificina naquele agregado familiar!)

Botei minha melhor voz de narradora de série de desgraças e proclamei: "No! Let her be. There's been enough bloodshed tonight!"

Minha Nancy lá se safou mais uma vez mas, digo-vos eu, tivesse o George R R Martin conhecido esta gente e os Starks não teriam uma vida tão facilitada como têm...

 

Crónicas de amor em África - Dias da rádio

(Imagem da net)

Emissão de sexta-feira à noite:

"Se for sair, por amor de Deus, beba com moderação. E mais, se for sair esta noite, leva camisinha de Vénus. Esta rádio não promove a promiscuidade, mas se, de repente, houver um momento de fogo, você vai estar armado."

Separador musical de 5 segundos e a próxima frase começa com "mesmo na pontinha...". Não ouvi mais nada porque nisto sou muito infantilóide e desatei a rir. Digamos que achei o encadeamento perfeito.

Acabadinho de ouvir na rádio Mais. E eu sinto dentro de mim que quando voltar para casa vou ter que procurar a emissão online disto. Eu não consigo conceber não ouvir estas pérolas todos os fins-de-semana!

 

Não recebo um cêntimo. É só mesmo porque é bom - 4

Eu sou uma preguiçosa. Mas sou o pior tipo de preguiçosa: a preguiçosa que adora publicidade e acha tudo boa ideia. Se eu me deixasse, assim que visse um anúncio a um creme ou shampoo ou maquilhagem que achasse piada, iria a correr para a loja. As piores coisas para eu comprar são mesmo cremes hidratantes para o corpo. Porquê? Porque sou preguiçosa. Compro-o, uso-o religiosamente ali 2 ou 3 dias e depois... Ai ca trabalheira... Ou ainda, ai porra, mais um a que sou alérgica!

Ora, aqui há uns tempos, vi o anúncio a isto na televisão:

(Foto da net)

E, obviamente, pensei para com os meus botões: olha que bela ideia! 

A pessoa dentro de mim que me dá na cabeça por gastar dinheiro em frascos que depois andam por ali pelos armários até vir a mulher da fava rica começou logo a resmungar. Mas eu calei-a. Ai que vinha de viagem, ai que depois não fico com a pele fofinha, ai, ai, ai... 

Vem de lá a outra pessoa que vive dentro de mim e é toda esquisitinha: Ahhh e se ficas toda peganhenta e tal e depois não gostas? Mas eu calei-a. Ai que vinha de viagem, ai que depois não fico com a pele fofinha, ai, ai, ai... 

Vai daí, com estes argumentos de peso, comprei a cena. Tenho para vos dizer que estou apaixonada! Não falho um dia. Aqui deixa a pele lisinha sem ficar peganhenta. Quando nos acabamos de limpar, nem sinal de peganhice. E é fácil de aplicar como tudo. Estou rendida!

(Foto da net)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Crónicas de amor em África - A minha nova pet chama-se Nancy Drew

(Foto da net que a Nancy é tímida)

Aqui há uns anos, lembro-me de estar sentada no sofá da casa onde vivia, ao lado da casa de meu pai. Por trás do móvel alto vejo sair uma minúscula osga bebé. Peguei no telemóvel e mandei uma SMS a papai dizendo:

"Está uma osga bebé na parede da sala."

Papai respondeu de imediato:

"E que queres que faça? Deixa estar que ela não te come."

Achei por bem apelar ao instinto paternal do homem:

"Quando, daqui a uns meses, me sair um dinossauro de detrás do móvel da sala, a gente conversa."

Instinto paternal não tinha ido trabalhar nesse dia:

"Eheh. Estou a ver tv."

Vá que eu não sou pessoa de me impressionar com osgas. Caso contrário, seria um trauma que me acompanharia para o resto da vida. Talvez não tenha ajudado ao meu papel frágil de filha desamparada, ele saber que eu já tinha tido duas osgas crescidas como companheiras de casa uns anos antes.

Obviamente, nunca mais vi a bicharoca que deve ter ido à sua vida e eu segui a minha.

Ontem, quando estávamos a subir a escadas para o quarto, no degrau, lá estava uma osga bebé. Ao que eu exclamo baixinho, para não a assustar: Olha uma bebé!

Ao que gaijo comenta meio admirado: Tu não gritas...

Muito habituados andam estes gaijos a miúdas frágeis e gritadiças...

E, agora, chegámos ao quarto e lá estava a bichinha acampada em cima do mini-frigorifico. Gaijo mune-se de chinelo para acabar com a raça da desgraçada. Eu desbaralho-o e a coitada pisga-se. O Gaijo ainda afastou o frigorifico de chinelo em riste mas a Nancy é esperta que nem um alho e não voltou a dar as caras.

Eu perguntei se lhe fazia confusão morar com a bicharoca. Ele lá respondeu que não (acho que um bocado contrariado) e arrumou o frigorifico no sítio (mas ainda foi examinar os meus ténis mais preocupado com eles do que eu) e eu agora tenho uma Nancy para me fazer companhia. Ou, pelo menos, terei até amanhã que eu tenho cá para mim que minha Esperança (amanhã logo vos a apresento) não é gaija para encontrar a minha Nancy e deixá-la escapar impune...

 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

E de quem é a culpa do estado da nação? Da Ice, obviamente!

Ao fim do dia de ontem:

Ice: É sempre assim! Já na empresa, cada vez que eu vinha de férias, acontecia sempre alguma bronca. Directores despedidos e assim...

Gaijo Que Dorme Comigo: O que foi, agora?

Ice: O Portas demitiu-se. Ontem o Gaspar, hoje o Portas. O governo deve estar para cair.

GQDC: Hummm... Isso quer dizer que se não te tivesses atirado da escada abaixo e não estivesses este tempo todo a recuperar e tivesses vindo de férias antes, esta palhaçada já podia ter acabado mais cedo?

Claramente, a culpa é minha...

(Foto by We Have Kaos in the Garden)

Crónicas de amor em África - A praia

Enquanto brincava com os meninos do Dande, Picolé apercebeu-se de que por trás das kubatas, havia uma praia. Perguntou se podia ir espreitar. Espreitou. Correu para nós.

- É a praia mais estranha que eu já vi! Tem galinhas e porco e galos e até perús!

Segundo momento 'dafuk?' entre eles: ele a contar aos outros que nas praias dele não havia bicheza (pelo menos com penas e 4 patas e porcos e galinhas e perúas, eu penso que também temos nas nossas...) e eles a olha para ele com ar de "ou não estamos a entender o que a criatura diz ou as praias dele são buéda pobres!"
Visto assim, ninguém diria...
(Foto by Iceberg)

terça-feira, 2 de julho de 2013

Procura a definição de Racismo

 

Era este o trabalho de casa que ele trazia no dia em que levou a caixa de cereais para o Léo.

Perguntei-lhe se tinha alguma ideia do que era Racismo. Nenhuma. Muni-me de dicionários e explicações.

Perguntei se na sala dele não tinha meninos que tinha uma cor de pele diferente.

Sim.

Para inicio de conversa, há quem só lhes chame pretos.

Mas eles não são pretos, mãe! São só um bocadinho mais escuros que eu (diz o Branco de Neve), assim castanhinhos.

Mas há pessoas que acham que só porque eles são de cor diferente, devem ser tratados de forma diferente. Há quem ache que essas pessoas são inferiores.

Inferiores???

(Nesta altura, confesso que já me descabelava um bocadinho. Como cá em casa ninguém tem qualquer tipo de conversa discriminatória, sim, fazemos piadas e tudo mas caraças, o puto sempre viu por cá brancos e pretos, loiros e morenos, altos e baixos, com óculos e sem óculos, portugueses e estrangeiros, com mais cromossomas e com menos cromossomas, e a única distinção que lhes vê é o nome de baptismo, esta merda era difícil de explicar. E eu confesso que até essa altura não se me ocorreu que fosse coisa que tivesse que explicar. Para mim, é tudo igual, mesmo. E nem vale a pena perguntarem se já namorei com um preto que a resposta é sim, tá? Embora não entenda essa lógica. Toda a gente tem preferência por um tipo de homem ou de mulher, a cor da pele não pode ser incluída aí? Eu prefiro morenos e não gosto de magros! Isso é discriminação ou um gosto pessoal? Mas, adiante, que isso é outra história...)

Sim, filho, inferiores. Por exemplo, há quem ache que são menos inteligentes.

???

Há quem ache que são burros, pronto.

O LÉO NÃO É BURRO, TÁ???

(Ahhhhhh... Eu não sabia que o Léo era preto. Nunca se me ocorreu perguntar. Como é que o puto há-de ver diferença? O Léo é o Léo. O que importa saber sobre o Léo? É amigo de Picolé e tem Região e Oral e precisava de uma caixa de cereais. Assunto encerrado. E como monkey sees, monkey does, Picolé faz igual. Afinal, o defeito é meu.)

Claro que o Léo não é burro, filho. Mas isso é o que essas pessoas pensam.

Essas pessoas são parvas, mãe!

Pois são. E percebeste o que era o racismo? (Decidindo não avançar mais na explicação e em como isso se aplicava a ciganos e etc e etc, que ainda me doía o tímpano do "O LÉO NÃO É BURRO, TÁ???")

Sim, mãe. Já percebi.

E que vais escrever, então?

Vou escrever: o racismo é gente parva!

E foi este o trabalho de casa que ele apresentou no dia a seguir na escola...

racismo

(raça + -ismo)

s. m.
1. Teoria que defende a superioridade de um grupo sobre outros, baseada num conceito de raça, preconizando, particularmente, a separação destes dentro de um país (segregação racial) ou mesmo visando o extermínio de uma minoria.
2. Atitude hostil ou discriminatória em relação a um grupo de pessoas com características diferentes, nomeadamente etnia, religião, cultura, etc. (In priberan)

3. Gente parva (in Universo Iceberguiano).