
Já não me lembro a que propósito surgiu a questão, na brincadeira, de "e se nós não fizéssemos mais sexo". Que gostava de mim da mesma forma, blá, blá, blá...
E aí eu comecei a pensar: mas isso não é começar a mudar as regras do jogo a meio? Uma pessoa está com outra e assume determinadas coisas que ao fim ao cabo foram as coisas que os juntaram. Se começarmos a mudar, hoje aqui, amanhã ali, não estaremos a alterar as regras do jogo?
Perguntei-lhe que aconteceria se eu começasse a mudar outras coisas que ele gostava. Como deixar de ler ou deixar de escrever. Ah e tal... Ok... Coloquei-lhe então a questão: Eu leio, escrevo e faço amor. Se eu deixasse de fazer duas destas coisas, quais é que escolherias para abdicar.
Que podia deixar de ler. Duas, pá! Eu disse duas! Não. Que não podia ser e tal e que não podia escolher e coiso.
E aí dá para começar a quantificar. Será que se só alterarmos uma coisa em nós, ainda que relevante, todo o restante conjunto compensa essa ausência e permite a manutenção de uma relação? Mas se formos mais além? E se forem duas? Já interfere? Ou será que a primeira já se torna reveladora do principio do fim?
Uma coisa é evoluirmos, passarmos a gostar de outras coisas, passar a preferir branco a tinto. Outra, completamente diferente, é alterar as coisas que aproximaram duas pessoas. Por mais insignificantes que possam parecer. Ou nos tornamos uma pessoa muito melhor e muito mais interessante com as mudanças permitindo que a outra parte se reapaixone, ou quer-me cá parecer que não há amor que resista.
É que isto a mim só me parece uma outra vertente do "eu antes até nem me importava que ele passasse horas a escrever mas agora acho que ele deve deixar de o fazer e dedicar-se exclusivamente a mim". Ou então o reverso da medalha daquela cena do "eu nem gosto muito de que ele vá à bola, mas depois dele ser meu, eu mudo isso"...
But that's a horse of a different colour...