domingo, 5 de junho de 2011

A minha irmã...

É a mulher mais bonita que eu conheço e uma das mais inteligentes. A minha irmã não pergunta directamente. Mas depois de 10 minutos a falar dos meus exames médicos e a sugerir que vá ter com ela, que mudar de país por uns dias é bom, perguntou com os rodeios e as hesitações que lhe são característicos: e o coração? está muito partido? 

Tentei disfarçar perguntando se ainda estávamos a falar do aspecto clínico da coisa. Ela respondeu que não só. Garanti-lhe que ía ficar bem. Que estava bastante danificado mas que eu ia ficar bem.

E com aquela voz doce e apenas 2 ou 3 frases genéricas sobre o assunto, ela conseguiu aquilo que os últimos 2 meses e todos os episódios da Anatomia de Grey não conseguiram: rebentar o dique e fazer-me chorar aquilo que eu precisava.

I will be fine, sweetie. Maybe not today, maybe not tomorrow. But soon. I promise. Love you.

(E adorei a dica queirosiana de viajar para esquecer os males. Sempre achei que era o melhor remédio.)

Digam-me que estou a alucinar, por favor!

Picolé está a discutir politica com a avó. Isto só pode ser resultado de um qualquer episódio psicótico meu. Isto não está a acontecer!!!

sábado, 4 de junho de 2011

Aquelas coisas que fazemos primeiro e dizemos às mães depois...*

- Isso significa que vais deixar de ser dadora de sangue?
- Não. Tenho que esperar um ano. Mas assim como assim, agora também não posso dar.
- Hummm... O que significa?
- Basicamente, não há bem que sempre dure nem mal que não se acabe...
- Tenho para mim que isso era coisa que devias ter posto perto do teu coração...

Considerando que os últimos resultados dos meus exames ao coração são mantidos em modo 'ultra-top-secret', o que é que ela quis dizer com aquilo???

*Ou esperamos que elas descubram 'acidentalmente' e pomos aquele ar de 'sim... ainda não tinhas reparado?'

sexta-feira, 3 de junho de 2011

You don't travel light...*

"Perhaps when we find ourselves wanting everything, it is because we are dangerously close to wanting nothing."

(Sylvia Plath)


A nossa 'bagagem emocional' impede-nos de viver, na maioria das vezes, estes sentimentos de forma tão aberta e condicional. Nós podemos até querer, mas damos por nós a ser a primeira parte do texto. "...existem pessoas que pura e simplesmente não conseguem gostar de ninguém. Esperem lá, não é que não queiram – querem! – mas quando gostam – e podem gostar muito – há sempre qualquer coisa que os impede. Ou porque a estrada está cortada para obras de pavimentação. Ou porque sofremos de diabetes e não podemos abusar dos açucares. Ou porque sim e não falamos mais nisto." Damos por nós a boicotar a coisa à partida porque " - aqui entre nós – é até um alívio não dar em nada porque ia ser uma chatice e estava-se mesmo a ver que ia dar nisto. E deu." E depois torna-se um ciclo vicioso. Como calhou cocó, da próxima boicotamos ainda mais. 

Eu sei bem disso. A minha disponibilidade para responder prontamente a mensagens ou telefonemas ou para correr para braços abertos diminuiu significativamente desde há 2 meses. E, por sua vez, o meu envolvimento com o Mr. Big foi boicotado, por mim, durante meses porque já antes tinha calhado cocó com and so on... And so on...

Portanto, Sr. Alvim, eu gostava muito de concordar e agir em conformidade com este gostar, mas sinto que a vida já nos/me moldou de tal forma que a simples ideia desse gostar de alguém é coisinha para nos acagaçar irremediavelmente.

Miss Friday

Eu tenho que deixar de sair com camónes... Talvez se eu o fizer, eles esqueçam que me nomearam 'Miss Friday' e que agora todas as sextas-feiras, logo pela fresquinha, me mandem mails a recordar que dia da semana é e a perguntar onde vamos...

De certeza que lhe morreu o gato, o cão e o piriquito...

Quem faz a selecção musical deste sitio onde me encontro deve estar a curtir a maior desilusão amorosa dos últimos séculos. Juro-vos que o Camilo Castelo Branco era um gaijo animado ao pé deste senhor. Estou desde as 9 da manhã a ouvir a expressão da maior dor de corno de todos os tempos. Não há boa disposição que aguente!!!

Não, Ice Maria...

Tu não comeste uma fatia gigante desta coisa. Foi uma alucinação. Tu não comeste e, se alguém perguntar, tu nega. Nega tudo e finge que não é nada contigo!

Agora é que lançam esta aplicação? Agora?

Onde andava ela há 2 meses atrás? Vá, digam-me!

Deve ser do tardio da hora...

[Eu sei que não devia pensar em ti. Eu sei que não me faz bem. Eu sei... Eu sei... Eu sei... Mas, foda-se, eu hoje tinha tanta coisa para falar contigo... Só contigo...]

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Agora, meus amores, tá tudo fodido...

Quando uma gaija consegue ter 3 páginas A4 de resultados de análises com valores todos dentro dos parâmetros mas tem 1 único que está quase 10 vezes acima do desejável é estranho. Que é... Se esse valor é o que indica o risco de enfartes deixa de ser estranho e passa a ser assustador. Principalmente, quando descobrimos que o nosso coração consegue ir bradicardia a taquicardia enquanto dizemos 'ai'. Num Ferrari ir dos 0 aos 100 em poucos segundos, diz que é bom. Acho que é capaz de não ser grande espingarda ir dos 46 aos 126 em pouco tempo. Pelo menos, lá no relatório diz que não é grande espingarda.

Aparentemente, o meu organismo consegue estar mais de 10 horas por dia em taquicardia, ou seja, em modo "foge, luta ou morre". Alguém lhe poderia dizer que tudo está bem, se faz favor? Alguém lhe poderia dizer que eu estou bem?

Segunda-feira, nova consulta...

Deverei eu dar-lhes um certo número de telefone?

Hoje cheguei ao colégio de Picolé e tinha 5 mulheres à minha espera. Fico sempre com medo destas coisas. Vi demasiados filmes americanos sobre intervenções para não ficar com medo de tanta gaija reunida.

De repente, vi-me cercada pelas 5. A mais velha põe-me o dedo no umbigo e diz: Vá... Agora diga como fez.

Excuse me?

Qual é a dieta? Dê-nos a dieta!

Fuck it... Como convencer 5 mulheres que não há dieta? Como convencê-las que tudo isto resulta do facto de eu não conseguir engolir se estiver nervosa ou ansiosa ou desgostosa. Fecha-se-me a garganta. Nada desce. Nada passa. 

Se por um lado, é bom porque posso usar vestidinhos como o da foto, por outro, eu sei que não é bom. E lembra-me outra vez. Lembra-me outras dores. Lembra-me outros vestidos curtos...

Às 5 mulheres que me olhavam, expectantes, disse-lhes que era melhor ficarem como estão. Que não havia dieta. Só stress. E essa é a grande verdade. Estão melhores como estão...


 


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Cúmulo da ironia?

É estar num chat a dar conselhos a um gaijo que começou uma relação 'pró que é' e acabou apaixonado... Sim, ele decidiu que eu era a pessoa certa para desabafar sobre isso...

Nem sei se ria se chore... Ou como diria a Natalie Portman: "Why can't we just have sex?"

Sô Dona Ice Maria Berg?

- Fala do Hospital. Temos aqui os seus resultados do exame.
- Pensava que só no final da semana...
- Não. Já estão prontos. Vem buscá-los?
- Sim... Amanhã...

Num país onde não se cumpre um fdp de um prazo, os meus resultados ficam prontos 3 dias antes do que é suposto. Não sei se deva encarar isto como algo positivo ou se deva já começar a pensar que temos a puta armada.

Tenho medo. Hoje, pela primeira vez, tenho medo... Tanto medo que não tive coragem de perguntar à senhora que me ligou se sabia o que dizia o relatório...

Belmiro, I love you!

Ontem, sai do escritório. Apanhei Picolé e fomos para o supermercado.

Estou eu a adentrar a coisa e vejo um senhor com um cesto a entrar também. Meninas, eu juro-vos, juradinho, que só podia ser este senhor. Era a carinha do Hugh Jackman. Coisinha para dar taquicardia (podeis dormir descansadas que não me deu nada. Coração de Ice manteve-se impávido e sereno. Estúpido que só bate por quem não deve...) a qualquer mulher de fé. Ou isso ou a minha zona anda a ser invadida por sósias do Hugh Jackman e esqueceram-se de me avisar!

Lá andei passarinhando pelo hiper, olhinhos regalados no senhor. Coisinha mais jeitosinha. Tudo no sitio... Perfeitinho como ele só... Trombudo... Eu já vos tinha dito que gosto de homens sérios?... Picolé, aproveitando-se da distracção materna, a enfiar montes de coisas no cesto... Digamos que um fim de tarde de compras fantástico.

Acabámos os dois nas caixas self service (coisa mai romântica). Ele despachou-se mais depressa e reparei que deixou um talão para trás. "Ice Maria, não és mulher não és nada se não vais buscar o talão para ver se tem lá o nome dele..." Não tinha. Era o talão de desconto das vuvuzelas.

Comentário de amiga ao saber que eu tinha surripiado o talão: "Ai Ice... Tou tão orgulhosa de ti..." Seguido daquilo que eu adivinho ser um sorriso maternal...

terça-feira, 31 de maio de 2011

Podiam ter dito antes, não?

"E um conselho: não aceites convites para almoçar a dois se não queres dar sinais errados. Ele não quer ser teu amiguinho. Quer saltar-te para cima. Acredita."

Porque é que não avisam uma gaija atempadamente destas coisas? Eu pensava que o almoço era uma refeição inofensiva!

And This Too Shall Pass...

«One day Solomon decided to humble Benaiah ben Yehoyada, his most trusted minister. He said to him, "Benaiah, there is a certain ring that I want you to bring to me. I wish to wear it for Sukkot which gives you six months to find it."

"If it exists anywhere on earth, your majesty," replied Benaiah, "I will find it and bring it to you, but what makes the ring so special?"

"It has magic powers," answered the king. "If a happy man looks at it, he becomes sad, and if a sad man looks at it, he becomes happy." Solomon knew that no such ring existed in the world, but he wished to give his minister a little taste of humility.

Spring passed and then summer, and still Benaiah had no idea where he could find the ring. On the night before Sukkot, he decided to take a walk in one of he poorest quarters of Jerusalem. He passed by a merchant who had begun to set out the day's wares on a shabby carpet. "Have you by any chance heard of a magic ring that makes the happy wearer forget his joy and the broken-hearted wearer forget his sorrows?" asked Benaiah.

He watched the grandfather take a plain gold ring from his carpet and engrave something on it. When Benaiah read the words on the ring, his face broke out in a wide smile.

That night the entire city welcomed in the holiday of Sukkot with great festivity. "Well, my friend," said Solomon, "have you found what I sent you after?" All the ministers laughed and Solomon himself smiled.

To everyone's surprise, Benaiah held up a small gold ring and declared, "Here it is, your majesty!" As soon as Solomon read the inscription, the smile vanished from his face. The jeweler had written three Hebrew letters on the gold band: _gimel, zayin, yud_, which began the words "_Gam zeh ya'avor_" -- "This too shall pass."

At that moment Solomon realized that all his wisdom and fabulous wealth and tremendous power were but fleeting things, for one day he would be nothing but dust.»


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Uma casa de pessoas fascinadas...

E já não podem gozar comigo por estar apaixonada por estes filmes...

Se tu imaginasses o que me sussurram ao ouvido enquanto 'brincamos às escondidas'...

"Ignora-o, assobia e chuta pedras...

 

OU ENTÃO canta LALLALALAL O AR É DE TODOS!! LALALALALA O AR É DE TODOS!!!"

(E eu a imaginar-me a fazer isto tudo em simultâneo?)
(I really love you, girls...)

O Universo é muito justo...

A minha amiga Maggy tem um pischer anão. 2 fins-de-semana que lá vou a casa. Em ambas as ocasiões, o sacana do cão tentou trepar na minha perna. Digamos que de uma das vezes, acabei a beber o café, sentada no braço do sofá, com as pernas para cima tal era o possuimento do bicho.

De maneiras que é isto... É mesmo isto...

"E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais 

E eu que estava tão decidida. Só eu e o Universo sabemos como estava decidida... Mas depois o Universo (e o cabrão do Cupido que se ele julga que me engana é mais bolos...) conspira e aquilo que eu acho que nunca vai acontecer, acontece. Aliás, eu já devia ter aprendido essa parte. Isso é que eu devia mandar tatuar na testa "learn to expect the unexpected". Na testa! Se há algo que eu já devia saber acerca deste cabrãofilhodaputa é que ele nunca vai fazer o que eu espero que ele faça. Nunca! E eu volto a respirar fundo e repito para mim mesma: Move on! Move on! E ponho um ar blasé de quem não está a ver e não tem nada com o que está a ser dito enquanto ele me provoca e o meu coração - traidor - acelera. 

*Mas nos 'braços de ferro' continuo eu a vencer... E é que é uma consolação do caraças. Vá... Talvez um bocadinho... Pronto, é. Dá-me gozo. Não posso negar.

domingo, 29 de maio de 2011

Diálogos imaginários

Deus: Tu abusas, pá. Esta merda já estava toda arrumadinha.
Diabo: Eu avisei. Eu disse-te o mês passado que, desta vez, achava que o Bem não ia ganhar.
Deus: Se tu estiveres quietinho, talvez resulte.
Diabo: Ai eu? Quer dizer, tu usas todos os argumentos. Vais buscar os Judeus e tudo e eu é que faço jogo sujo?
Deus: Nãoooooo... Tu jogas limpinho... É as musiquinhas que ouvem os dois ao mesmo tempo e que tu fazes questão de que eles saibam. É os dois a fazer a mesma merda ao mesmo tempo e chibarem-se um ao outro. Eu digo-te uma coisa: estes dois fazem mais coisas juntos com centenas de quilómetros a separá-los do que muito casal que eu cá conheço. E de quem é a culpa?
Diabo: Tens que concordar que quando eles fazem merda cada um para o seu lado, é irresistível pô-los a falar um com o outro. Mesmo com o teu truquezinho da mensagem trocada sobre uma mulher qualquer.
Deus: Se ela fosse um bocadinho mais burra ou irracional ou assim, ela te-lo-ia cilindrado naquela altura... Só precisava ser mais um bocadinho...
Diabo: Era fraquito, amigo. Aquela não ia colar que a miúda não é injusta. Infelizmente... E, além disso, com quem é que ele estava a falar? Não era com a outra dama, pois não?
Deus: Whatever... O que importa é que ela agora está decidida.
Diabo: Hum hum...
Deus: Tens dúvidas? Tu vais ver do que sou capaz...
Diabo: Eu para ti só tenho uma coisa para dizer: it ain't over till it's over...
Deus: Veremos. Ela agora tem algo que a lembra todos os dias que tudo é mutável. Tal  como ele mudou. E ela sabe disso. E ela vê isso todos os dias quando se olha ao espelho.
Diabo: Tu e o Salomão têm demasiado tempo livre, não têm?
Deus: Até pode ser mas que até agora tem resultado, tem...
Diabo: Eu detesto ser sempre o portador de más noticias... Mas diz-me lá uma coisa: se isso funcionou tão bem, se consideras que já venceste, porque raio está ela a escrever este post?
Deus: Cala-te e joga!

E assim se passa um Domingo

Quando troco a roupa de Inverno pela de Verão, há sempre 3 caixas. 2 onde arrumo a roupa da outra estação e uma onde ponho as coisas que já me estão pequenas mas, à cautela, guardo. Sim, porque eu sou daquelas que em cada mudança, experimenta e manda para a caridade o que acha que nunca mais vai vestir. E o que me arrependo disso agora...

Este ano, a caixa das coisas que me estão pequenas está vazia. Aliás, ficam por lá (e cheira-me que por pouco tempo) 3 vestidos que a minha avó me fez quando eu tinha 20 anos. O resto da roupa vai ver a estação que entra. Sendo que tenho uma pilha de coisas que estavam nessa caixa que são para apertar um bocadito. A caixa das coisas pequenas passou a caixa das coisas grandes e está quase a precisar de uma irmã.

Já eu preciso de um suplemento para roupa nova, fáxavor!

sábado, 28 de maio de 2011

E pára de dizer isso! Aliás, podes parar de falar comigo.

Não me provoques. Não digas que não acreditas em mim. Não me sorrias. Não me iludas. Aliás, hoje é sábado. Podes fazer o que quiseres. Hoje, podes... Embora não saibas porquê, hoje podes.

E, hoje, também odeio

Os cães de Pavlov e o Pavlov e os Cupidos e as HK's. Estou muito democrata...

Pleno

Já não faço um pleno há tanto tempo que já nem sei o que isso era. Eu era boa a fazer plenos... Mr. Big tornou-me numa pessoa muito desengraçada...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Today

Hoje nunca mais te quero ver. Odeio-te mesmo. Visceralmente. Com ganas de morte. Com emoção. Sem dó nem piedade. Com toda a minha alma e o meu ser. Consigo pensar em milhentas maneiras de te matar dentro e fora de mim. E depois... Não... Mas devia. 

Amanhã... Amanhã começa a caminhada para te exorcizar. Amanhã... Só que desta, vai ser de vez. A bem ou a mal, tu vais-me passar!

Coisas que me dizem - 14

"Eu nunca falei com ele ao telefone mas está com uma voz melhor que nunca."

De Frankenstein a Cristo

Vamos lá repetir 1000 vezes para ver se não esqueces: Ice Maria, tu fazes alergia àqueles adesivos giros à prova de água. Da próxima vez, talvez seja boa ideia lembrares-te disso. Sempre evita que fiques com o peito em ferida... 

E os meus resultados devem ser uma coisa esperta. Nas 24 horas de monitorização consegui quase ter uma discussão com uma Professora. Discussão essa que ia ocorrendo 2 minutos antes de começar um exame. Passei a noite em claro porque Picolé fez febres de 39º/40º. Eu apontei tudo no papelinho que me deram para apontar as actividades em que ia incorrendo. Estive quase a por o fim do dia de ontem e a noite sob o tema 'relações sexuais'. É que me pareceu que eu estava a ser bem fodida...

Hoje ao tirarem os eléctrodos, acho que a pele deve ter vindo atrás. Estou aqui que nem lhe posso tocar e pelo decote vê-se o vermelhão. Mas não há-de ser nada... This too shall pass...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Eu tinha que pespegar com isto em qualquer lado... O que eu gosto do Pavlov...


"You know you don't have to act with me.
You don't have to say anything and you don't have to do anything.
Not a thing.
Maybe just whistle.
You know how to whistle, don't you, Steve?
You just put your lips together and blow."
(Lauren Bacall in "To Have and Have Not")
 
(Eu quando for grande quero ser como a Lauren Bacall... E dar beijos daqueles...)

Eu não devo nada ao Frankenstein...

É que só se me faltam os parafusos nas têmporas para ficar mais parecidinha. E o temerária que a senhora foi? Deu-me a maquineta e, à confiança, disse-me que não valia a pena dar-me o saquinho que eu metia no bolso. Ela não sabe que eu sou pródiga em perder as coisas que enfio no bolso... Para além disso, os fdp's dos adesivos que me puseram a prender os eléctrodos fazem-me alergia. Eu já sabia que faziam mas pensei que não valia a pena referir isso... Sim, podem-me dar com uma cadeira na cabeça que eu deixo. 

Resumindo e concluindo: estou cheia de calor, cheia de comichões, com um enjoo que não se aguenta à conta da análise da glicémia que fiz logo de manhã e gostava de dizer aos senhores que inventaram aquela mixórdia que temos que ingerir que "NÃO, PORRA! AQUILO NÃO SABE A LIMÃO!!!!!"

Ahhhhh... E tenho uma folhinha para apontar tudo o que faço. Inclusive, se tiver relações sexuais. 'Façam atenção', fáxavor... Eu pareço o Frankenstein. Eu não posso tomar banho durante 24 horas. Eu ando com um aparelho ligado a mim por um fio de meio metro atrás. Eu vou foder quem e como????? É que gaijo que me queira saltar para a espinha neste estado ou me ama perdidamente ou passou meio ano numa ilha deserta... E vai daí, também me disseram que é capaz de haver gaijos com o fetiche de fazer tudo com o comando na mão que achem piada à maquineta... 

Respira, Ice Maria... O 'comando' diz que faltam 19 horas e 41 minutos...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Chamem-me fútil...

Mas o que veste uma gaija para andar com esta traquitana toda atrás durante 24 horas? E tenho menos de 8 horas para decidir...

Coincidências

Eu, ontem, ia fazer uma coisa que quero fazer há muito tempo. Achei irónico que tivesses dado o ar da tua graça precisamente no dia em que decidi ir avante com a resolução. Achei que, de todos os dias, não poderias ter escolhido melhor.

Quando ao fim do dia, finalmente, decidida e posta no sitio, a pessoa com quem ia ter se esqueceu, olhei em volta à procura do bilhete de Dom Destino. Não encontrei. 

A Margarida Rebelo Pinto diz que não há coincidências. Eu não sei o que ela quer dizer com isso que eu não tive pachorra de ler o livro. Mas uma coisa te posso garantir: já está combinado para sábado. Sim, meu querido, you too shall pass...

*E pode ser que eu me engane mas parece-me que o ar de graça se deveu a uma nova viagem. Irónico como não consegues ir sem, de alguma forma, te despedires. Para quem quer ser livre, colocas em ti muitas amarras...

Mensagem encriptada

Eu tenho sempre grandes ressacas emocionais. Os dias a seguir a grandes emoções para mim são sempre dias de dores de cabeça e introspecção. Tal como com o álcool, se a espiral de consumo se mantiver, não há ressaca. Mas se passar do gin à água, é melhor agarrar o tubo de guronsan como se fosse uma bóia em alto-mar.

Com as ressacas emocionais, passa-se o mesmo. Se houver uma continuação, se as emoções continuarem em alto ritmo, não há uma quebra e não há tempo para pensar. Mas quando a quebra ocorre, temos o típico day after de ressaca. E... Nop… Eu não gosto dos days after. Tal como na ressaca de uma noite de copos, o sol mostra-nos que, apesar de na noite anterior termos sido rainhas, princesas, deusas, quando o dia nasce somos apenas todos humanos. Frágeis, vulneráveis e, acima de tudo, com uma capacidade monstruosa de errar.

Palavras tuas, um sorriso meu - 21

"O bom mentiroso é aquele que consegue ser adorado por uns e odiado por outros, e quer uns quer outros não sabem ao certo nem porque o amam nem outros porque o odeiam. Não há motivos ou argumentos, há uma teia que nos envolve e muitas vezes nos leva adorá-lo sem questões ou pré-requisitos.

Apenas acontece.

O bom mentiroso é o que nos dá vontade de conhecer, agredir e na verdade é sempre alguém que sem sabermos protegemos... porque detestamos mentiras... ou será que detestamos descobri-las? 

O bom mentiroso é puta: podemos abominar a sua existência, mas a nossa era mais pobre sem ele."


Tão verdade, tão verdade, tão verdade que até dói...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Talvez seja mesmo a pior ideia do Mundo e arredores...

"There's a reason I said I'd be happy alone. It wasn't 'cause I thought I'd be happy alone. It was because I thought if I loved someone and then it fell apart, I might not make it. It's easier to be alone, because what if you learn that you need love and you don't have it? What if you like it and lean on it? What if you shape your life around it and then it falls apart? Can you even survive that kind of pain? Losing love is like organ damage. It's like dying. The only difference is death ends. This? It could go on forever."

(Grey's Anatomy)

Vasculhar almas e ver a Anatomia de Grey é uma péssima ideia...

"Henry: I really tried to be a gentleman about all this, but now you need to get the hell out. Letting you go was the worst thing I've ever done. It's the most painful thing I've ever done, and I'm a guy who's had 82 surgeries. My threshold for pain is pretty high. You need to get out. I'm not your best bud. I'm not your security blanket. I'm a man who's in love you who waltzed you into the arms of a damn knight on a horse. So, go to Germany and have little spaetzle-eating children. And please, for God's sake, leave me alone."

(Grey's Anatomy)


A mente de um Rochedo Gelado é do camandro...


Temos então que andávamos com esta música em repeat dentro da cabeça. Por muito que eu lutasse contra isso, dava comigo a murmurar coisas como "You'll never see what you've found in me, You'll keep searching and searching your whole life through".

E pensei para comigo: "Ice Maria, finalmente caiu a ficha. Isto deve ser a tua mente a fazer o luto do Mr. Big e tu a rogares pragas ao senhor."

Vasculhei o subconsciente de fio a pavio e não havia jeito de encontrar a tal da raiva, da auto-comiseração, do choro mal contido. Não encontrava, pronto... E aí, pensei para com o meu top (não tinha botões na altura): "Ice, filha, tu pensa bem... Não há aí dentro nada que justifique a letrinha desta cançãozinha que sem tu saberes como se instalou na tua mente?"

Vá de fazer mais uma busca... Nada. Nicles. Népias. "Bolas..." pensei eu, "Isto deve ser grave. Então ainda não passei da primeira fase? Ainda estou em negação???? Porra..."

Hoje, de manhã, andava a cirandar pela casa enquanto saboreava o único café do dia que acompanha os 2 happy pills. Quando passei pela sala, Picolé estava a ver pela 534545235ª vez o dvd que passou os últimos dias a ver... Uma lâmpada do tamanho da Estátua da Liberdade acendeu-se na minha mente... É que eu já tenho uma capacidade tão grande de ignorar os desenhos animados que depois dá nisto...


domingo, 22 de maio de 2011

Sexta-feira, à noite, num local perto de si...

Duas gaijas em casa. Picolé a botar discurso. Às tantas, começa a contar-nos a história do filme dos Pokemons. Que havia o %%$&# e  o /&&%&%#%" que estavam separados mas depois no final reencontravam-se porque tinha que ser.

"Sabem, sabem? É que eles são Almas Génias!!!"

sábado, 21 de maio de 2011

Epifania

Eram, sensivelmente, 6 da manhã. O sol começava a raiar. Eu, deitada na cama, acordada por motivos que agora não vêm ao caso, relembrei os tópicos de uma conversa de 2 horas que tive há uns meses atrás.

1) Sismos - A tal coisa de algumas pessoas, imediatamente antes do sismo, ouvirem barulho.
2) De como alguns homens mentiam às mulheres para poderem fazer o que bem lhes dava na veneta sem lhes darem justificações nem assumirem que estavam a fazer merda.
3) Adivinhações, regressões e afins.
4) Enfartes e AVC's em gente jovem - Uma coisa que acontece com cada vez mais frequência.
5) Dores de dentes
6) Fumar erva
7) Gravidez de gémeos
8) Destino e karma

1) 10 dias depois, senti um sismo de 4.0 na escala de Richter.
2) 15 dias depois, mentiram-me sobre o destino e o propósito de uma viagem.
3) 37 dias depois, dei comigo sentada em frente a uma bruxa profissional.
4) 45 dias depois meteram-me um comprimido de nitroglicerina debaixo da língua para uns dias mais tarde me dizerem que se os valores da tensão, a ansiedade e a pulsação se mantivessem, eu poderia ter um AVC ou um enfarte a qualquer momento.
5) Ando há 2 dias com dor de dentes que era coisa que já não tinha há 6 anos e meio.
6) Não sei / não respondo. Mas posso dizer que a última vez que eu tinha visto erva tinha sido há mais de 11 anos.
7) Alguém me pode dar o contacto de uma daquelas organizações que advoga a abstinência como método anti-concepcional?
8) Foda-se...

E eu sei que ainda houve mais 2 ou 3 tópicos mas que eu não me consigo lembrar e, se calhar e tendo em conta o acima mencionado, convinha que podiam ser coisas que, eventualmente, me interessassem. Mas tinha a cabeça noutros temas menos eruditos e agora arrependo-me. Além de que começo a pensar que se tinha prestado mais atenção, podia ter evitado o passo nº 3)!!!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Coisas que eu, um dia, ainda vou perceber...

Muito gostam os homens da minha vida de mim quando estão noutro continente. Deve ser a tal coisa do fuso horário... Dá-lhes o jet lag no cérebro e preocupam-se, mandam mails, falam em chats, skypes e afins, telefonam e tudo e tudo e tudo. Botam o pé em território nacional, bate-te-se-lhes o jet lag invertido e puffft. Tornam-se descipulos do David Coperfield (não é o do Dickens. É o outro...)

É isso e quando eu me desligo deles. O meu 'off' deve ser o 'on' deles. Um dia, ainda aprendo a sincronizar os gaijos. Eu juro que sim. Não deve ser mais difícil que as definições dos tablets e dos smartphones e assim...

Picolé e Ice

Picolé viu-me sentir mal naquele dia. Ajudou-me quando eu me ia estatelando no chão, foi chamar a avó à casa ao lado e sentou-se ao meu lado, no escuro, quando eu não me consegui levantar. Eu nunca lhe escondi nada e também não lhe escondi isto. Talvez seja errado ser absolutamente franca com ele mas acho que ele me merece esse respeito. Mas essa honestidade também tem o seu preço...

Anteontem, quando fui à mezzanine/escritório/quarto da bagunça, desço as escadas para encontrar o dedito espetado de Picolé no fundo das escadas:

Picolé: Tu não devias ir lá acima sozinha!
Ice: Porquê?
Picolé: Porque não. É perigoso.
Ice: Mas a mãe sempre foi lá acima sozinha...
Picolé: Mas não devias... (silêncio)
Ice: Tens medo que eu me sinta mal?
Picolé: Pois. Podes ficar tonta, outra vez, e cair nas escadas, não é? Não vais lá acima sozinha!

Lá lhe expliquei que agora já não tenho tonturas e que nada me vai acontecer e que foi só aquela vez (espero eu!). E não consigo deixar de pensar que a coisa que me causa mais medo - por não saber o que o futuro me reserva, por ter medo todos os dias de que algo lhe possa acontecer, por... por... por... - é também a coisa que mais me faz sentir segura. Para isso basta ver que eu nunca tenho medo de estar sozinha em casa quando ele está comigo. É uma parvoíce, eu sei, mas só ele estar comigo faz-me sempre sentir mais segura. Mesmo quando ele era apenas um besnico de gente...

Cupido

Quando eu conheci o Cupido que existe na minha vida, por tudo o que me foi dito, a ideia que tinha era de um gaijo desprendido, sem amarras amorosas, um porreiro sem vontade de romantismos. Mas nós sabemos que as gaijas podem ser, e são, extremamente tendenciosas, principalmente quando fizeram merda que chegue com um gaijo e não têm grande vontade de assumir. Como eu costumo dizer, numa relação há sempre 3 versões da mesma história: a dele, a dela e a do que realmente se passou. A última nunca é sabida por ninguém. Por vezes, nem mesmo pelas 2 pessoas envolvidas.

 

Neste caso, eu tinha, e tenho, uma única versão: a dela. À medida que o tempo avançou, também os detalhes do que se havia passado, foram sendo desvendados. Nós, gayjjas, temos o condão de manipular versões de tal forma que até nos convencemos a nós mesmas que fomos injustiçadas. Mesmo quando enganámos, traímos e abandonámos. Eu, sinceramente, acho esta nossa capacidade fascinante. Alguém deveria escrever um tratado sobre a mente feminina. Alguém que, como é bom de ver, iria acabar num hospital psiquiátrico. Mas podia ser que o seu sacrifício ajudasse a lançar alguma clarividência sobre este tema fascinante.

 

Mas adiante, voltemos ao Cupido… Desde a semana passada, eu comecei a concluir que o meu Cupido nada mais é do que um romântico incurável (daí o nome). Eu achava que para ele toda esta história era uma brincadeirinha, um gozo. Hoje, acho que estamos perante um sucker for love stories capaz de fazer coisas que eu não faria pela minha melhor amiga em nome dessa coisa a que alguns chamam luzes a piscar em formato de coração e tom rosa. E o mais engraçado é que o faz pela outra parte. Não por mim. Aliás, eu ainda tenho para mim que eu devo ser vista, por ele, como a má da fita. Mas, justiça seja feita, se é esse o caso, nunca ele me disse nada. Aliás, tudo o que ele me diz é camuflado por boa disposição e brincadeira, mas sem nunca esquecer de put on a good word pelo amigo.


E a mim dá-me vontade de rir. Eu já dei muitas e boas gargalhadas à conta do meu Cupido e dos seus planos atabalhoados que entregam sempre os objectivos da outra parte. Eu já o vi de sorrisinho realizado quando alcançou os seus objectivos. Já o vi bater em retirada quando a coisa deu certo. E agora, vejo-o voltar à carga imbuído do espírito de missão a tentar salvar o dia. 


Eu achava que tinha 2 Hello Kitties na minha vida. Duas gaijas que suspiravam e viam luzinhas e coraçõezinhos em todo o lado. Mas agora acho que tenho 3. Sendo que uma delas tem perto de 1m90 e pila! E o que é mais grave: eu desconfio que esta Hello Kitty disfarçada de macho tem um plano. E eu temo sempre quando as HK's elaboram planos. Tem a ver com aquela minha veia de Coiote em perseguição do Bip Bip...


*E digo-vos mais... (E ainda bem que a minha amiga não lê este blog...) O plano nunca foi completamente altruísta. E se ela lhe desse uma chance, talvez descobrisse isso mesmo... Mas isto sou eu que levo com as setas dele várias vezes por semana e já topei que ele gosta é do amour, toujours l'amour...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Tenho cá para mim que o mal foi cortado pela raiz.

Estava mesmo na hora de acabar com o medo irracional que todo o gaijo tem quando não sabe o que é que se passa com a gaija que comeu para ela andar em médicos. E, depois de não sei quantos dias de pezinhos de lã e nhãnhãnhãs, Mr. Big lá encontrou os tintins que deve ter perdido por alturas da Ascenção e decidiu perguntar directamente o que se passava comigo. Sem Cupidos*, sem perguntar a uma amiga minha, sem rodeios. E eu, da mesma forma, respondi. 

So, you're off the hook, man… We're done… Basicamente, estou novamente a abrir-lhe a porta da rua e a dar-lhe a liberdade que tanto quer. (Isto é do camandro… Eu nunca abri tantas vezes a porta da rua a um gaijo e é precisamente esse que acha que o quero prender…) Pode agarrá-la e seguir a sua vida. E se aquilo que eu acho que era a preocupação dele, está correcto**, é precisamente isso que ele irá fazer. E devia ser fácil e linear, mas não é. Vai custar. Vai ser mais uma etapa de desilusão quando eu pensava que já tinha atingido o cume das desilusões. E confesso que me arrepanha o coração quando penso nisso (agora não sei se isso é por causa da condição física ou se é mesmo da desilusão). Mas isso também vai passar. Era só o que me faltava ter um marmanjão de roda de mim por pena. Desculpem lá mas mesmo fragilizada, tenho o meu orgulho! E assim sempre são menos umas taquicardias que tenho por dia.

*Até porque o meu Cupido tem memória muito selectiva. De tudo o que eu tenho, reteve 'tonturas e desmaios matinais'.
**Como se ele alguma vez na vida viesse a descobrir que eu estava grávida… Antes ter o puto pelo espaço entre o dedo grande do pé e o outro a seguir a dizer-lhe.

Falemos de coisas sérias...

Pois que ontem foi a consulta. Pois que o senhor achou por bem informar-me que posso quinar a qualquer momento e sem aviso prévio. A tensão baixou mas diz que não é saudável ter os dois valores muito próximos. E eu que achava que era sinal de que se davam bem... Diz também que não é bom para as pessoinhas terem pulsações acima dos 100 em repouso e que também não é grande espingarda sentirmos o nosso coração a bater e eu que achava que era sinal que estávamos vivos.

Pois que o programa de festas inclui duplicar os happy pills (yuppiiiiiii), mais uma página A4 de análises para juntar à página anterior e um electrocardiograma hopler (nome chique, pá!) que consiste na coisa agradável de andar 24h ligada a uma maquineta que regista a actividade do meu pequenito coração de passarinho. Pode ser que como este exame é mais preciso que os anteriores, apareça o nome do responsável pelo estrago. Eu ainda tenho fezada na indemnização... É que motivos para isto ninguém consegue descobrir, portanto, ou me dão o nome do responsável e eu mudo para as Caraíbas ou me trazem a equipa do House. Either one is fine by me... Até porque Dr. informou que a estatística diz que em 96% dos casos não se consegue apurar a causa. Só se tratam os sintomas. Não descobre, pardon my french, my ass!!! Ele deve achar que eu vou passar o resto da minha vida a achar que tenho mais probabilidades de quinar a qualquer momento que o resto do pessoalinho. Deve ser verdade...

Até tudo isto estar feito e a causa apurada, evitar os 'nerbos' e as 'ansiedezas'.. Tá bem, tá... 

terça-feira, 17 de maio de 2011

"São Jorge por favor me empresta um dragão..."


Hoje apetecia-me entender porque consigo viver sem ti com relativa facilidade mas não consigo evitar que a pulsação dispare quando me dizes a frase mais horrorosa de todos os tempos: "Olá miúda..."

E, já agora, se não desse muito trabalhinho, podias-me dizer que caraças queres de mim?

domingo, 15 de maio de 2011

A obstinação é que é, definitivamente, genética*

Eu já me fartei, ao longo de anos na blogosfera, em sítios diferentes, de escrever sobre a minha avó, mas a mulher tem bué de histórias e, let's face it, faz-me uma falta do caraças. Além de bonita pra xuxu, era também talentosa. A minha avó era costureira. Se fosse hoje, a minha avó era estilista, uma vez que era ela, na maioria das vezes, que desenhava os modelos, os cortava e os confeccionava. Mas há 60 anos não havia estilistas. Havia costureiras e, upa upa, modistas. A minha avó era costureira. O que eu acho que nunca vos disse é que eu vivi com ela até aos 5 anos (e, se dependesse dela, lá ficaria até aos 18, altura em que iria para a faculdade, que ela tinha tudo já estabelecido).

Ora, uma menina a crescer numa quinta, já não era pêra doce que eu de anjo só tinha mesmo o aspecto. Agora, imaginem lá como é que se costura com um trambolhinho atrás. Tudo o que eu queria era aprender com ela a costurar. E devia ser chata para caraças, que eu era da idade do meu filho quando ela me ensinou a bordar. Não sem antes ter passado pela fase de descobrir os alfinetes e agulhas perdidos (se fosse hoje a protecção de menores, tinha-me tirado de lá!) que ela dizia que eu era mais eficaz que Santo António amarrado ou virado do avesso ou lá o que era.

Portanto, eu antes dos 10 anos, sabia bordar, tirar moldes e cortar. Tudo isto arrancado a ferros que ela não queria ensinar-me. Só houve uma coisa em que ela nunca vergou. A coisa que eu queria mais que tudo. Nunca me foi permitido usar as agulhas de coser. Por muito que eu lhe pedisse que me ensinasse a coser, ela sempre recusou. A máquina de costura, então, era absolutamente off-limits. Tudo o que eu quisesse, ela fazia-me mas jamais me ensinava. As minhas bonecas tinham enxovais completos. Mas feitos por ela! 

O argumento era simples. A neta dela nunca seria como ela. A neta dela nunca seria costureira. A neta dela ia para a universidade e não iria fazer vestidos para senhoras. E eu olhava para ela, altiva, arrogante, tão mais imponente que as senhoras que eu via no seu quarto de costura, e não entendia o que ela queria dizer. Se quem mandava naquele espaço era ela, se quem dizia como seria o vestido ou a saia ou o que quer que fosse era ela, se as senhoras a tratavam a ela por 'senhora dona' e ela se dirigia a elas pelo nome próprio, se era ela que tinha o poder de pegar num pedaço de tecido e fazer vestidos de noiva sem ser estilo suspiro gigante (ainda me lembro do vestido da Lurdes... Curto... Azul... Há 30 anos... E eu achei que era o vestido de noiva mais bonito do mundo...), porque é que eu não podia ser como ela? Porque não!

Portanto, eu cresci e fui para a universidade. Tudo de acordo com o plano. Mas também aprendi a coser tudo à mão. À minha custa que não havia cá ensinamentos para ninguém, à cautela. Muita agulha enfiei eu nos dedos. Muita caralhada disse eu. Se ela estivesse por perto, a única coisa que me dizia era: "Devias usar um dedal". Daí que as únicas coisas que me eram destinadas, à partida, em 'testamento' eram (i) a aliança de casamento dela porque só servia a mim e à minha irmã mas foi a mim que ela despachou o 'casamento' com a frase "vive com ele, está casada" e (ii) os dedais que sobraram após ser entregue um a cada um dos interessados. Será bom de ver que eu nunca usei um cabrão de um dedal e não tenciono usar mas a ironia da coisa é essa mesmo.

Este fim-de-semana, Picolé foi para a avó (santa sogra, abençoada hora em que me separei do filho dela que ganhei uma mãe!) para eu poder descansar das minha maleitas. Eu tinha umas fronhas novas engendradas para as almofadas da sala. Metade da 1ª almofada foi cosida à mãozinha. Mas depois pensei para comigo: "Ice Maria, tu compraste uma mini máquina de costura. Não deve ser preciso ser engenheiro da NASA para trabalhar com aquela merda..." Sim, demorei o dobro do tempo a coser a porra da metade que faltava. Desatinei. Estive prestes a atirar a máquina para o lixo. Gritei-lhe e chamei-lhe filha de uma senhora de cama incerta. Achei muitas vezes que de certezinha que ficaria mais perfeito se eu tivesse cosido à mão. Mas, no fim, saí vitoriosa. A fronha da almofada está ali altaneira e orgulhosa no sofá a olhar para mim e eu estou a olhar para o móvel da máquina de costura da avó que ocupa lugar de destaque na minha sala e serve de mesa para a aparelhagem. Estou a olhar e a pensar que um dia arranjo coragem e uso-a. A singer que existe há muito mais tempo que eu... Um dia**... 

*Há quem lhe chame teimosia...
**Mas sempre convencida que me vai cair um raio em cima!

Eu não sou nada bonita mas tenho bons genes. Lá isso tenho...

"Um longo domingo de noivado": A Audrey Tautou é muita parecida com a minha avó.

"O fabuloso destino de Amélie": A Audrey Tautou é igual à minha irmã.

sábado, 14 de maio de 2011

Just what the doctor didn't recommended...

Hoje já me fizeste rir, sorrir, praguejar, subir a tensão e ter palpitações. Assim, de repente, parece-me que era a isto que a 'Callie' se referia quando mencionava as coisas a evitar nos próximos tempos...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

And most important of all, you can't use our friends as messengers.*

"If you miss me, you can't text, you can't email, you can't post it on my Facebook wall. If you really miss me, you come and see me."
(No Strings Attached)

Não é que não me divirta, que diverte. Assim como prova a minha teoria de que alcançamos sempre as respostas que queremos se não fizermos as perguntas. Mas por amor da santa, de que será que tens tanto medo? Eu não mordo... Sabes bem que não mordo... Vá... Tá bem... Mas não conta, n'é? Usar amigos comuns já me parece letra de música, não?* O teu azar é que escolheste tão bem o gaijo que te saiu o pior Cupido na rifa: aquele que não tem tento na língua. Eu? Eu acho fofinho dois marmanjões armados em donzelas. Mas se estão à espera que eu responda validamente, espero que haja ainda muito para beber nos sítios por onde andam...***

*Este post foi escrito hoje, à hora de almoço. Agradeçam ao Blogger só ter sido publicado agora!
**"I hear you're asking around if I am anywhere to be found"
***E a pena de vocês mesmos com que devem ter acordado? Até a mim me dói a cabeça só de pensar...

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Hoje, os Happy Pills não estão a funcionar...

Mas lá está, uma pessoinha não pode pegar num evento internacional que estava fadado ao fiasco e transformá-lo num potencial êxito, em 4 horas, sem um bocadito e adrenalina extra, não é? 
E diz que a adrenalina faz o coração acelerar, certo? 
Pois...

Diz que o blogger está escangalhado há horas...

Esta gente não sabe que eu não me posso enervar?

terça-feira, 10 de maio de 2011

Será que ele lhe quer fazer a folha?

Hoje, enquanto fui fazer o exame, Picolé ficou com a avó. E, no seu jeito despachado, explicou-lhe o quanto estava preocupado com o meu coração. Porque se o meu coração doía era porque eu estava apaixonada e ele não sabia por quem. É fascinante como ninguém me lê como ele...