terça-feira, 14 de junho de 2011
Aquelas que nem às paredes confessamos...
[Na minha casa há muitas escovas de dentes. Eu própria tenho 3 diferentes. Uma eléctrica e uma manual no lavatório, uma no chuveiro. Para além das minhas, há a de Picolé. No copo ao lado, há mais duas que não pertencem a nenhum habitante desta casa. A do N que dormia comigo quando se enfrascava e não tinha condições para ir para casa e cujas noites acabavam invariavelmente com ele a perguntar se era naquele dia que nós íamos dar uma cambalhota e eu a responder que se calasse e dormisse. Ao que ele obedecia religiosamente. E agora há também a da J. Eu pego numa caneta de acetato. Escrevo-lhes o nome no cabo, ponho-lhes uma tampa e ali ficam até eu chegar à conclusão que seus donos tão cedo não voltarão a cá dormir. A do N já devia ter ido para o lixo mas eu deixo-a ali com esperança de que ele, um dia, se aperceba que namora uma hárpia e ganhe juizo. A da J é recente e ainda está dentro do prazo de validade. Havia uma terceira até há bocado. Uma terceira que vivia no meu necessaire. Eu pensei em colocá-la directamente no lixo do wc. Mas confesso que me deu um certo gozo despejar viakal e esfregar os orifícios do chuveiro com ela... Estavam com calcário... E eu nunca disse que era boa pessoa, pois não?]
Donas de casa desesperadas
Ontem jantei em Wisteria Lane. Embora eu não imaginasse que fosse viável comemorar-se o Santo António nessa parte do mundo, parece que é mesmo verdade. Lá estavam todos os casais perfeitos com seus filhos perfeitos nos seus carros perfeitos e vidas perfeitas. Nada contra. Sou até bastante a favor. Eu própria já pensei que poderia ser habitante de Wisteria Lane e fazer parte de um casal perfeito com filhos perfeitos e carros perfeitos e vida perfeita. Fiquei-me só pela parte do filho perfeito e muito bem.
Sempre que me vejo num evento em Wisteria Lane Mode, vejo-me sempre como a Edie*. As minhas roupas nunca são como as das 'senhoras' presentes. As minhas histórias não incluem subidas em casal a picos de montanhas. Não proíbo as criancinhas de comer olhos de peixes. E, não raramente, sou apanhada a dar aos pequenos infantes porcarias que fazem os pais arregalar os olhos e as mães sorrirem amareladamente**.
E depois eles interrogam-me directamente sobre qual é a minha actividade profissional e elas olham atentamente enquanto eu respondo a verdade mas o que me apetece mesmo dizer que é a profissão mais velha do mundo***. E começa a dar-me comichão nos dedos e no cérebro. Interrogo todos directamente sobre o que fazem na vida, olhos nos olhos, e interrogo-me onde anda a anfitriã perfeita que me deixou ali sozinha. Uma delas aproveita para dizer que uma vez que passa mais tempo desempregada do que empregada, pelo menos, a roupa está sempre passada e a casa arrumada. Tento empatizar. No fundo, no fundo, sou boa pessoa. Estar desempregada deve ser uma merda. Digo que, nessa parte, ela tem sorte que eu tenho uma pilha de roupa que nunca mais acaba para engomar. Isto irá virar-se contra mim uma hora mais tarde com a Lynette lá da zona atirando para o ar a frase solta "pois, mas ela não passa a ferro..." como contraponto para qualquer coisa (anda cá, minha rica menina, toma lá mais uns olhinhos de peixe...).
Não entendo a reacção das habitantes das Wisteria Lanes perante uma mulher sozinha que surge nas suas 'ruas'. Eu simpatizei com as senhoras. Mas também vi a forma como mediam milimetricamente o top que eu vestia quando a mim me apetecia dizer que qualquer uma delas seria bem mais atraente que eu se vestisse um qualquer trapinho que não tivesse "roupa sem qualquer tipo de piada e totalmente desadequada à minha figura e Deus me livre que as pessoas reparem em mim" escrito na etiqueta. E apetecia-me dizer que não sou ameaça nem para elas nem para ninguém. Tomara eu que me deixassem viver a minha vidinha sossegada que eu quero tanto sarna para me coçar como quero fazer um clister com chumbo quente.
*Havia mais uma solteira e com menos uns tantos parafusos mas como estava em Anfitriã Mode, estava no seu best behaviour.
**Eu concordo que dar às duas miúdas os olhos de 80 sardinhas é capaz de não ter sido muito sensato, mas sempre era melhor que as deixar morder os rabos das sardinhas e voltar a pô-las na travessa que era o plano original delas!!!!
***E é! A venda de serviços é a profissão mais velha do mundo. Sejam eles quais forem!
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Um dos homens que fez de mim o que sou...
"Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!"
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!"
(Fernando Pessoa)
Season Finale
Era um teste. Este fim-de-semana era um teste. Aliás, eram 2 testes. O mais duro era a mim mesma. Voltar ao local do crime. Dormir sozinha na cama onde nunca o tinha feito. Arrumar a casa, literal e figurativamente, e fechar a porta.
Assim que cheguei, só tinha vontade de correr de volta para donde tinha vindo. Lembrei-me de quando o meu pai morreu e eu larguei tudo e fiz 300kms porque só pensava em abraçar Picolé. Na quinta-feira, era só o que me apetecia fazer: abraçar Picolé. Eu não queria entrar naquele quarto, eu não queria ir jantar, eu não queria sorrir. Queria, pura e simplesmente, pegar no saco que tinha acabado de pousar e ir para casa. A ironia? Aquela rua já foi o sitio para onde fugia. A minha casa, o meu refúgio já foi ali.
Não fugi. Fiz tudo o que me propus fazer. Enfrentei os fantasmas como pude e sai de cabeça erguida. Sorri, encantei, ri, disfarcei e sobrevivi.
O segundo teste era um teste de personalidade. Não à minha que essa anda bem e recomenda-se, obrigada. Mas esse, quem tinha que o fazer, chumbou redondamente. O resultado desse, foi o esperado, não o desejado. Ninguém gosta de descobrir que se anda a lamuriar e a sofrer por um cobarde. Essas coisas deviam vir tatuadas nas pessoas. Com letras grandes e em bold como os avisos nos maços de tabaco. E para mim foi o fim. Chega a um ponto em que nós dizemos 'chega'. Em que decidimos que basta e nos retiramos airosamente ainda que isso nos doa e nos corroa. E esse momento chegou. Não na primeira vez que em que eu disse 'para mim chega' este fim-de-semana. Essa primeira vez foi apenas a preparação para o que eu sabia/sentia que ia acontecer. Foi mais tarde. Foi naquele momento em que ela me segurou a mão por cima da mesa e eu vi, como se assistisse de fora ao desenrolar da cena, uma mulher fantástica, vestida de forma a já ter virado algumas algumas cabeças até chegar a essa mesa, a segurar as lágrimas (essas cabras que se dizem minhas irmãs têm este condão de rebentar diques em mim). Esse foi o meu momento "chega". Esse foi o momento em que o mundo faz uma pausa e temos a certeza que se a outra parte é incapaz de ver a pessoa fantástica que somos é porque não nos merece e, definitivamente, não merece as nossas lágrimas. Nada está realmente terminado até esse momento.
Coisas que me aborrecem nisto?
Não saber se estive mesmo apaixonada ou se tudo isto é resultado de orgulho ferido. Não me ter sido dada oportunidade de descobrir isso...
Não perceber porque raio andou o Universo a brincar durante 9 ou 10 meses comigo para depois, quando eu cedo e decido dar uma oportunidade à coisa, dar nisto. Fónix... O senhor lá de cima não devia andar ocupado com coisas mais importantes?
E, por fim (e eu sei que isto pode não parecer importante, mas eu nunca me tentei passar por intelectual nem nada disso), refode-me conseguir lembrar-me do cheiro e do corpo dele mas não me conseguir lembrar se é dextro ou canhoto. Óh pá, fico fodida, pronto.
E isto, meus amores, é o que temos. Esta série, como qualquer grande série, termina mais uma temporada e vai entrar em férias de verão. Todos nós sabemos que no fim da temporada morre sempre um ou outro actor que não vai entrar na próxima época. Como argumentista desta, opto por colocar Mr. Big num avião para Londres (sim, gosto de finais irónicos. So what?). Um jacto particular que não me apetece matar muita gente. Vê-se a aeronave a descolar. É fim do dia. Quando o avião está ainda em trajecto ascendente em direcção ao pôr-do-sol, um dos motores incendeia-se. O avião inclina para a direita. O outro motor começa a fumegar...
Fade Out.
THE END
domingo, 12 de junho de 2011
Momento Kodak
São 3 da manhã. Uma mulher inicia uma sessão de strip no palco. Dezenas (centenas?) de pessoas enchem o pequeno espaço. Essas pessoas dançam e cantam a plenos pulmões uma das músicas mais lamechas e pirosas de todos os tempos. Esta.
As saudades que eu tinha do Cais do Sodré...
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Hoje é daqueles dias...
Em que estou cá com uns remorsos por o ir deixar...
O que é estúpido, considerando que esta é a segunda vez que o vou deixar com uma avó mais do que uma noite para me ir divertir. Na sua vida toda. A primeira foi há 3 meses. Eu sei que é imbecil. Mas que tenho a consciência a moer-me, tenho.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Acerca do post anterior...
Talvez fosse mesmo uma grande ideia ler tudo o que as pessoinhas nos escrevem antes de empinar o nariz e bater com a porta, não achas, Ice Maria?
Mas assim como assim, já empinaste e empinaste e bateste e bateste... Não vale a pena voltar atrás. Amanhã, logo desamuamos, tá?
terça-feira, 7 de junho de 2011
Diálogos que não são
Diabo: Comprimidos? Comprimidos?
Deus: Meu caro... Vale tudo, n'é? Foste tu que disseste...
Diabo: E chuva? Chuva?
Deus: Hoje estás um bocado repetitivo, não estás?
Diabo: Eu nunca pensei que jogasses tão sujo...
Deus: Tive um bom mestre.
Diabo: Eu não fiz nada.
Deus: Claro que não. O outro volta de viagem e vai a correr falar com ela. Ainda há pouco tempo se estava a cagar, agora é todo salamaleques...
Diabo: Devias agradecer. Estou a torná-lo numa pessoa melhor... Mais atencioso...
Deus: Traste... E como se não bastasse mensagenzinhas a dizer que ela é fantástica. Vai-te quilhar.
Diabo: E é. A miúda é fantástica... É mentira?
Deus: Não me aborreças. E o Cupido... Ai se eu apanho esse fedelho... Eu até se me arrepio com o que ele trama...
Diabo: Puto porreiro. Faz tudo o que se lhe diz. Um doce.
Deus: E ainda me vens falar dos meus comprimidos... Ela vai tomá-los. Deixa de ter palpitações e acaba-se a história estúpida desta paixonite.
Diabo: Pois... Deve ser verdade... Tu sabes para onde ela vai este fim-de-semana, não sabes?
Deus: Não me lembres! Até eu fico com taquicardia.
Diabo: E achas que ela vai resistir a dizer alguma coisa? Quer dizer, eu tiro-te o chapéu. A miúda consegue resistir a tudo. Não telefona. Não escreve. Ela nunca toma a iniciativa. Lá nisso, tiro-te o chapéu. Mas agora, ela vai lá estar... O Cupido vai lá estar... Quem é que achas mais que vai lá estar?
Deus: Ela vai resistir. Ela tem os comprimidos. Ela resiste...
Diabo: Tu já viste o vestido que ela tem ali para vestir?
Deus: Claro que sim. Eu sou omnipresente, lembras-te? Porque é que achas que encomendei chuva?
Diabo: Sim, porque é mesmo isso que vai impedir alguma coisa... E as sandálias? Giras, pá...
Deus: Goza, goza. Hoje gozas tu, amanhã gozo eu.
Diabo: Jogamos outra vez na segunda? Nessa altura, fazemos o balanço. Pode ser?
Deus: Combinado. Eu ainda tenho uns trunfos na manga para usar...
Diabo: Óptimo. Olha, eu aposto uma noite de verão contra os teus raios e coriscos do costume e ainda subo um brazilian bikini wax. Veremos o que tens para apostar contra isso...
Deus: Ai que eu me dê paciência a mim próprio...
Eu ia comentar...
Como tinha sido uma péssima ideia ter usado um vestido curto num dia em que tive que ir duas vezes a uma oficina de carros.
Mas depois o proprietário fez-me um desconto de 20% na revisão, enquanto me sorria e olhava para as pernas, e não me consigo lembrar de nada do que ia dizer...
Não vale a pena criticarem-me. Crise é guerra. E na guerra vale tudo menos tirar olhos!
E tudo vai ser diferente...
Ora temos então que sou a pessoa mais saudável do mundo. Senhor doutor deu-se, inclusive, ao trabalho de elencar todas as coisas que as análises dizem que eu NÃO tenho. Aquele valor esquisito não tem expressão se não houver mais nenhum valor esquisito. Não há.
Logo ninguém consegue explicar porque tenho um ritmo cardíaco de 126 em descanso quando tenho a tensão baixa.
Sugeri que mandassem vir o Dr. House... E a equipa toda, vá...
Agora vamos largar os Happy Pills (ohhhhhhhhhhh) e tomar uns comprimidos durante 28 dias para tentar baixar esta merda para a qual não existe qualquer justificação médica!
Logo ninguém consegue explicar porque tenho um ritmo cardíaco de 126 em descanso quando tenho a tensão baixa.
Sugeri que mandassem vir o Dr. House... E a equipa toda, vá...
Doutor Tuga diz que não é possível. Nunca me fazem as vontades...
E agora, Doutor?
Agora vamos largar os Happy Pills (ohhhhhhhhhhh) e tomar uns comprimidos durante 28 dias para tentar baixar esta merda para a qual não existe qualquer justificação médica!
Para todos os que irão relacionar os excesso de batimentos cardíacos (ainda não houve uma alminha que não o fizesse) com um estado constante de paixão, tenho para vos dizer que a boa noticia, pelos vistos, é que já há comprimidos que curam esse estado de alma. A partir de amanhã, tudo vai ser diferente!
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Palavras tuas, um sorriso meu - 22
"Hoje é mais fácil andar tempos indeterminados no "a ver se dá", no "agora sim, agora não, agora já não vivo sem ti, agora estás a sufocar-me!", no "tenho medo de compromissos", no "não sei se quero uma relação neste momento", no "modo não-exclusividade".
Não critico quem não se queira comprometer com algo, mas também não entendo este andar no limbo e não saber o que se quer. Não é a minha praia, digamos. Critico sim, o não se ser honesto com a outra pessoa. Porque depois há sempre alguém que se magoa, que cria expectativas, que pensa que a coisa pode evoluir.
Não critico quem não se queira comprometer com algo, mas também não entendo este andar no limbo e não saber o que se quer. Não é a minha praia, digamos. Critico sim, o não se ser honesto com a outra pessoa. Porque depois há sempre alguém que se magoa, que cria expectativas, que pensa que a coisa pode evoluir.
(este texto, por acaso, é coisinha mais para me fazer gargalhar do que propriamente sorrir...)
Os meus amigos têm fortes hipóteses de serem piores do que eu...
Friend: how are we today?
mim: Fine.
Esquecemo-nos de tomar os happy pills e temos consulta.
Portanto, vou levar na carola!
Friend: a q horas?
mim: Às 19.30
Friend: porra
até lá morres do coração..
quer dizer
wrong choice of words... :s
salvo seja!
mim: AHAHHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAH
domingo, 5 de junho de 2011
A minha irmã...
É a mulher mais bonita que eu conheço e uma das mais inteligentes. A minha irmã não pergunta directamente. Mas depois de 10 minutos a falar dos meus exames médicos e a sugerir que vá ter com ela, que mudar de país por uns dias é bom, perguntou com os rodeios e as hesitações que lhe são característicos: e o coração? está muito partido?
Tentei disfarçar perguntando se ainda estávamos a falar do aspecto clínico da coisa. Ela respondeu que não só. Garanti-lhe que ía ficar bem. Que estava bastante danificado mas que eu ia ficar bem.
E com aquela voz doce e apenas 2 ou 3 frases genéricas sobre o assunto, ela conseguiu aquilo que os últimos 2 meses e todos os episódios da Anatomia de Grey não conseguiram: rebentar o dique e fazer-me chorar aquilo que eu precisava.
I will be fine, sweetie. Maybe not today, maybe not tomorrow. But soon. I promise. Love you.
(E adorei a dica queirosiana de viajar para esquecer os males. Sempre achei que era o melhor remédio.)
Digam-me que estou a alucinar, por favor!
Picolé está a discutir politica com a avó. Isto só pode ser resultado de um qualquer episódio psicótico meu. Isto não está a acontecer!!!
sábado, 4 de junho de 2011
Aquelas coisas que fazemos primeiro e dizemos às mães depois...*
- Isso significa que vais deixar de ser dadora de sangue?
- Não. Tenho que esperar um ano. Mas assim como assim, agora também não posso dar.
- Hummm... O que significa?
- Basicamente, não há bem que sempre dure nem mal que não se acabe...
- Tenho para mim que isso era coisa que devias ter posto perto do teu coração...
Considerando que os últimos resultados dos meus exames ao coração são mantidos em modo 'ultra-top-secret', o que é que ela quis dizer com aquilo???
sexta-feira, 3 de junho de 2011
You don't travel light...*
"Perhaps when we find ourselves wanting everything, it is because we are dangerously close to wanting nothing."
(Sylvia Plath)
Alguém me mandou este link do texto do Fernando Alvim, hoje. Eu li e pensei que, sim senhora, gostar é isto mesmo. "Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos no meio de uma multidão de gente. Quando se gosta de alguém não respondemos a uma mensagem só no final do dia, não temos acidentes de carro, nem nunca os nossos pais se sentiram mal a ponto de nos impossibilitarem o nosso encontro." Mas depois pensei: Espera lá, Ice Maria, que a coisa não é bem assim...
A nossa 'bagagem emocional' impede-nos de viver, na maioria das vezes, estes sentimentos de forma tão aberta e condicional. Nós podemos até querer, mas damos por nós a ser a primeira parte do texto. "...existem pessoas que pura e simplesmente não conseguem gostar de ninguém. Esperem lá, não é que não queiram – querem! – mas quando gostam – e podem gostar muito – há sempre qualquer coisa que os impede. Ou porque a estrada está cortada para obras de pavimentação. Ou porque sofremos de diabetes e não podemos abusar dos açucares. Ou porque sim e não falamos mais nisto." Damos por nós a boicotar a coisa à partida porque " - aqui entre nós – é até um alívio não dar em nada porque ia ser uma chatice e estava-se mesmo a ver que ia dar nisto. E deu." E depois torna-se um ciclo vicioso. Como calhou cocó, da próxima boicotamos ainda mais.
Eu sei bem disso. A minha disponibilidade para responder prontamente a mensagens ou telefonemas ou para correr para braços abertos diminuiu significativamente desde há 2 meses. E, por sua vez, o meu envolvimento com o Mr. Big foi boicotado, por mim, durante meses porque já antes tinha calhado cocó com and so on... And so on...
Portanto, Sr. Alvim, eu gostava muito de concordar e agir em conformidade com este gostar, mas sinto que a vida já nos/me moldou de tal forma que a simples ideia desse gostar de alguém é coisinha para nos acagaçar irremediavelmente.
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