quinta-feira, 26 de maio de 2011

Eu não devo nada ao Frankenstein...

É que só se me faltam os parafusos nas têmporas para ficar mais parecidinha. E o temerária que a senhora foi? Deu-me a maquineta e, à confiança, disse-me que não valia a pena dar-me o saquinho que eu metia no bolso. Ela não sabe que eu sou pródiga em perder as coisas que enfio no bolso... Para além disso, os fdp's dos adesivos que me puseram a prender os eléctrodos fazem-me alergia. Eu já sabia que faziam mas pensei que não valia a pena referir isso... Sim, podem-me dar com uma cadeira na cabeça que eu deixo. 

Resumindo e concluindo: estou cheia de calor, cheia de comichões, com um enjoo que não se aguenta à conta da análise da glicémia que fiz logo de manhã e gostava de dizer aos senhores que inventaram aquela mixórdia que temos que ingerir que "NÃO, PORRA! AQUILO NÃO SABE A LIMÃO!!!!!"

Ahhhhh... E tenho uma folhinha para apontar tudo o que faço. Inclusive, se tiver relações sexuais. 'Façam atenção', fáxavor... Eu pareço o Frankenstein. Eu não posso tomar banho durante 24 horas. Eu ando com um aparelho ligado a mim por um fio de meio metro atrás. Eu vou foder quem e como????? É que gaijo que me queira saltar para a espinha neste estado ou me ama perdidamente ou passou meio ano numa ilha deserta... E vai daí, também me disseram que é capaz de haver gaijos com o fetiche de fazer tudo com o comando na mão que achem piada à maquineta... 

Respira, Ice Maria... O 'comando' diz que faltam 19 horas e 41 minutos...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Chamem-me fútil...

Mas o que veste uma gaija para andar com esta traquitana toda atrás durante 24 horas? E tenho menos de 8 horas para decidir...

Coincidências

Eu, ontem, ia fazer uma coisa que quero fazer há muito tempo. Achei irónico que tivesses dado o ar da tua graça precisamente no dia em que decidi ir avante com a resolução. Achei que, de todos os dias, não poderias ter escolhido melhor.

Quando ao fim do dia, finalmente, decidida e posta no sitio, a pessoa com quem ia ter se esqueceu, olhei em volta à procura do bilhete de Dom Destino. Não encontrei. 

A Margarida Rebelo Pinto diz que não há coincidências. Eu não sei o que ela quer dizer com isso que eu não tive pachorra de ler o livro. Mas uma coisa te posso garantir: já está combinado para sábado. Sim, meu querido, you too shall pass...

*E pode ser que eu me engane mas parece-me que o ar de graça se deveu a uma nova viagem. Irónico como não consegues ir sem, de alguma forma, te despedires. Para quem quer ser livre, colocas em ti muitas amarras...

Mensagem encriptada

Eu tenho sempre grandes ressacas emocionais. Os dias a seguir a grandes emoções para mim são sempre dias de dores de cabeça e introspecção. Tal como com o álcool, se a espiral de consumo se mantiver, não há ressaca. Mas se passar do gin à água, é melhor agarrar o tubo de guronsan como se fosse uma bóia em alto-mar.

Com as ressacas emocionais, passa-se o mesmo. Se houver uma continuação, se as emoções continuarem em alto ritmo, não há uma quebra e não há tempo para pensar. Mas quando a quebra ocorre, temos o típico day after de ressaca. E... Nop… Eu não gosto dos days after. Tal como na ressaca de uma noite de copos, o sol mostra-nos que, apesar de na noite anterior termos sido rainhas, princesas, deusas, quando o dia nasce somos apenas todos humanos. Frágeis, vulneráveis e, acima de tudo, com uma capacidade monstruosa de errar.

Palavras tuas, um sorriso meu - 21

"O bom mentiroso é aquele que consegue ser adorado por uns e odiado por outros, e quer uns quer outros não sabem ao certo nem porque o amam nem outros porque o odeiam. Não há motivos ou argumentos, há uma teia que nos envolve e muitas vezes nos leva adorá-lo sem questões ou pré-requisitos.

Apenas acontece.

O bom mentiroso é o que nos dá vontade de conhecer, agredir e na verdade é sempre alguém que sem sabermos protegemos... porque detestamos mentiras... ou será que detestamos descobri-las? 

O bom mentiroso é puta: podemos abominar a sua existência, mas a nossa era mais pobre sem ele."


Tão verdade, tão verdade, tão verdade que até dói...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Talvez seja mesmo a pior ideia do Mundo e arredores...

"There's a reason I said I'd be happy alone. It wasn't 'cause I thought I'd be happy alone. It was because I thought if I loved someone and then it fell apart, I might not make it. It's easier to be alone, because what if you learn that you need love and you don't have it? What if you like it and lean on it? What if you shape your life around it and then it falls apart? Can you even survive that kind of pain? Losing love is like organ damage. It's like dying. The only difference is death ends. This? It could go on forever."

(Grey's Anatomy)

Vasculhar almas e ver a Anatomia de Grey é uma péssima ideia...

"Henry: I really tried to be a gentleman about all this, but now you need to get the hell out. Letting you go was the worst thing I've ever done. It's the most painful thing I've ever done, and I'm a guy who's had 82 surgeries. My threshold for pain is pretty high. You need to get out. I'm not your best bud. I'm not your security blanket. I'm a man who's in love you who waltzed you into the arms of a damn knight on a horse. So, go to Germany and have little spaetzle-eating children. And please, for God's sake, leave me alone."

(Grey's Anatomy)


A mente de um Rochedo Gelado é do camandro...


Temos então que andávamos com esta música em repeat dentro da cabeça. Por muito que eu lutasse contra isso, dava comigo a murmurar coisas como "You'll never see what you've found in me, You'll keep searching and searching your whole life through".

E pensei para comigo: "Ice Maria, finalmente caiu a ficha. Isto deve ser a tua mente a fazer o luto do Mr. Big e tu a rogares pragas ao senhor."

Vasculhei o subconsciente de fio a pavio e não havia jeito de encontrar a tal da raiva, da auto-comiseração, do choro mal contido. Não encontrava, pronto... E aí, pensei para com o meu top (não tinha botões na altura): "Ice, filha, tu pensa bem... Não há aí dentro nada que justifique a letrinha desta cançãozinha que sem tu saberes como se instalou na tua mente?"

Vá de fazer mais uma busca... Nada. Nicles. Népias. "Bolas..." pensei eu, "Isto deve ser grave. Então ainda não passei da primeira fase? Ainda estou em negação???? Porra..."

Hoje, de manhã, andava a cirandar pela casa enquanto saboreava o único café do dia que acompanha os 2 happy pills. Quando passei pela sala, Picolé estava a ver pela 534545235ª vez o dvd que passou os últimos dias a ver... Uma lâmpada do tamanho da Estátua da Liberdade acendeu-se na minha mente... É que eu já tenho uma capacidade tão grande de ignorar os desenhos animados que depois dá nisto...


domingo, 22 de maio de 2011

Sexta-feira, à noite, num local perto de si...

Duas gaijas em casa. Picolé a botar discurso. Às tantas, começa a contar-nos a história do filme dos Pokemons. Que havia o %%$&# e  o /&&%&%#%" que estavam separados mas depois no final reencontravam-se porque tinha que ser.

"Sabem, sabem? É que eles são Almas Génias!!!"

sábado, 21 de maio de 2011

Epifania

Eram, sensivelmente, 6 da manhã. O sol começava a raiar. Eu, deitada na cama, acordada por motivos que agora não vêm ao caso, relembrei os tópicos de uma conversa de 2 horas que tive há uns meses atrás.

1) Sismos - A tal coisa de algumas pessoas, imediatamente antes do sismo, ouvirem barulho.
2) De como alguns homens mentiam às mulheres para poderem fazer o que bem lhes dava na veneta sem lhes darem justificações nem assumirem que estavam a fazer merda.
3) Adivinhações, regressões e afins.
4) Enfartes e AVC's em gente jovem - Uma coisa que acontece com cada vez mais frequência.
5) Dores de dentes
6) Fumar erva
7) Gravidez de gémeos
8) Destino e karma

1) 10 dias depois, senti um sismo de 4.0 na escala de Richter.
2) 15 dias depois, mentiram-me sobre o destino e o propósito de uma viagem.
3) 37 dias depois, dei comigo sentada em frente a uma bruxa profissional.
4) 45 dias depois meteram-me um comprimido de nitroglicerina debaixo da língua para uns dias mais tarde me dizerem que se os valores da tensão, a ansiedade e a pulsação se mantivessem, eu poderia ter um AVC ou um enfarte a qualquer momento.
5) Ando há 2 dias com dor de dentes que era coisa que já não tinha há 6 anos e meio.
6) Não sei / não respondo. Mas posso dizer que a última vez que eu tinha visto erva tinha sido há mais de 11 anos.
7) Alguém me pode dar o contacto de uma daquelas organizações que advoga a abstinência como método anti-concepcional?
8) Foda-se...

E eu sei que ainda houve mais 2 ou 3 tópicos mas que eu não me consigo lembrar e, se calhar e tendo em conta o acima mencionado, convinha que podiam ser coisas que, eventualmente, me interessassem. Mas tinha a cabeça noutros temas menos eruditos e agora arrependo-me. Além de que começo a pensar que se tinha prestado mais atenção, podia ter evitado o passo nº 3)!!!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Coisas que eu, um dia, ainda vou perceber...

Muito gostam os homens da minha vida de mim quando estão noutro continente. Deve ser a tal coisa do fuso horário... Dá-lhes o jet lag no cérebro e preocupam-se, mandam mails, falam em chats, skypes e afins, telefonam e tudo e tudo e tudo. Botam o pé em território nacional, bate-te-se-lhes o jet lag invertido e puffft. Tornam-se descipulos do David Coperfield (não é o do Dickens. É o outro...)

É isso e quando eu me desligo deles. O meu 'off' deve ser o 'on' deles. Um dia, ainda aprendo a sincronizar os gaijos. Eu juro que sim. Não deve ser mais difícil que as definições dos tablets e dos smartphones e assim...

Picolé e Ice

Picolé viu-me sentir mal naquele dia. Ajudou-me quando eu me ia estatelando no chão, foi chamar a avó à casa ao lado e sentou-se ao meu lado, no escuro, quando eu não me consegui levantar. Eu nunca lhe escondi nada e também não lhe escondi isto. Talvez seja errado ser absolutamente franca com ele mas acho que ele me merece esse respeito. Mas essa honestidade também tem o seu preço...

Anteontem, quando fui à mezzanine/escritório/quarto da bagunça, desço as escadas para encontrar o dedito espetado de Picolé no fundo das escadas:

Picolé: Tu não devias ir lá acima sozinha!
Ice: Porquê?
Picolé: Porque não. É perigoso.
Ice: Mas a mãe sempre foi lá acima sozinha...
Picolé: Mas não devias... (silêncio)
Ice: Tens medo que eu me sinta mal?
Picolé: Pois. Podes ficar tonta, outra vez, e cair nas escadas, não é? Não vais lá acima sozinha!

Lá lhe expliquei que agora já não tenho tonturas e que nada me vai acontecer e que foi só aquela vez (espero eu!). E não consigo deixar de pensar que a coisa que me causa mais medo - por não saber o que o futuro me reserva, por ter medo todos os dias de que algo lhe possa acontecer, por... por... por... - é também a coisa que mais me faz sentir segura. Para isso basta ver que eu nunca tenho medo de estar sozinha em casa quando ele está comigo. É uma parvoíce, eu sei, mas só ele estar comigo faz-me sempre sentir mais segura. Mesmo quando ele era apenas um besnico de gente...

Cupido

Quando eu conheci o Cupido que existe na minha vida, por tudo o que me foi dito, a ideia que tinha era de um gaijo desprendido, sem amarras amorosas, um porreiro sem vontade de romantismos. Mas nós sabemos que as gaijas podem ser, e são, extremamente tendenciosas, principalmente quando fizeram merda que chegue com um gaijo e não têm grande vontade de assumir. Como eu costumo dizer, numa relação há sempre 3 versões da mesma história: a dele, a dela e a do que realmente se passou. A última nunca é sabida por ninguém. Por vezes, nem mesmo pelas 2 pessoas envolvidas.

 

Neste caso, eu tinha, e tenho, uma única versão: a dela. À medida que o tempo avançou, também os detalhes do que se havia passado, foram sendo desvendados. Nós, gayjjas, temos o condão de manipular versões de tal forma que até nos convencemos a nós mesmas que fomos injustiçadas. Mesmo quando enganámos, traímos e abandonámos. Eu, sinceramente, acho esta nossa capacidade fascinante. Alguém deveria escrever um tratado sobre a mente feminina. Alguém que, como é bom de ver, iria acabar num hospital psiquiátrico. Mas podia ser que o seu sacrifício ajudasse a lançar alguma clarividência sobre este tema fascinante.

 

Mas adiante, voltemos ao Cupido… Desde a semana passada, eu comecei a concluir que o meu Cupido nada mais é do que um romântico incurável (daí o nome). Eu achava que para ele toda esta história era uma brincadeirinha, um gozo. Hoje, acho que estamos perante um sucker for love stories capaz de fazer coisas que eu não faria pela minha melhor amiga em nome dessa coisa a que alguns chamam luzes a piscar em formato de coração e tom rosa. E o mais engraçado é que o faz pela outra parte. Não por mim. Aliás, eu ainda tenho para mim que eu devo ser vista, por ele, como a má da fita. Mas, justiça seja feita, se é esse o caso, nunca ele me disse nada. Aliás, tudo o que ele me diz é camuflado por boa disposição e brincadeira, mas sem nunca esquecer de put on a good word pelo amigo.


E a mim dá-me vontade de rir. Eu já dei muitas e boas gargalhadas à conta do meu Cupido e dos seus planos atabalhoados que entregam sempre os objectivos da outra parte. Eu já o vi de sorrisinho realizado quando alcançou os seus objectivos. Já o vi bater em retirada quando a coisa deu certo. E agora, vejo-o voltar à carga imbuído do espírito de missão a tentar salvar o dia. 


Eu achava que tinha 2 Hello Kitties na minha vida. Duas gaijas que suspiravam e viam luzinhas e coraçõezinhos em todo o lado. Mas agora acho que tenho 3. Sendo que uma delas tem perto de 1m90 e pila! E o que é mais grave: eu desconfio que esta Hello Kitty disfarçada de macho tem um plano. E eu temo sempre quando as HK's elaboram planos. Tem a ver com aquela minha veia de Coiote em perseguição do Bip Bip...


*E digo-vos mais... (E ainda bem que a minha amiga não lê este blog...) O plano nunca foi completamente altruísta. E se ela lhe desse uma chance, talvez descobrisse isso mesmo... Mas isto sou eu que levo com as setas dele várias vezes por semana e já topei que ele gosta é do amour, toujours l'amour...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Tenho cá para mim que o mal foi cortado pela raiz.

Estava mesmo na hora de acabar com o medo irracional que todo o gaijo tem quando não sabe o que é que se passa com a gaija que comeu para ela andar em médicos. E, depois de não sei quantos dias de pezinhos de lã e nhãnhãnhãs, Mr. Big lá encontrou os tintins que deve ter perdido por alturas da Ascenção e decidiu perguntar directamente o que se passava comigo. Sem Cupidos*, sem perguntar a uma amiga minha, sem rodeios. E eu, da mesma forma, respondi. 

So, you're off the hook, man… We're done… Basicamente, estou novamente a abrir-lhe a porta da rua e a dar-lhe a liberdade que tanto quer. (Isto é do camandro… Eu nunca abri tantas vezes a porta da rua a um gaijo e é precisamente esse que acha que o quero prender…) Pode agarrá-la e seguir a sua vida. E se aquilo que eu acho que era a preocupação dele, está correcto**, é precisamente isso que ele irá fazer. E devia ser fácil e linear, mas não é. Vai custar. Vai ser mais uma etapa de desilusão quando eu pensava que já tinha atingido o cume das desilusões. E confesso que me arrepanha o coração quando penso nisso (agora não sei se isso é por causa da condição física ou se é mesmo da desilusão). Mas isso também vai passar. Era só o que me faltava ter um marmanjão de roda de mim por pena. Desculpem lá mas mesmo fragilizada, tenho o meu orgulho! E assim sempre são menos umas taquicardias que tenho por dia.

*Até porque o meu Cupido tem memória muito selectiva. De tudo o que eu tenho, reteve 'tonturas e desmaios matinais'.
**Como se ele alguma vez na vida viesse a descobrir que eu estava grávida… Antes ter o puto pelo espaço entre o dedo grande do pé e o outro a seguir a dizer-lhe.

Falemos de coisas sérias...

Pois que ontem foi a consulta. Pois que o senhor achou por bem informar-me que posso quinar a qualquer momento e sem aviso prévio. A tensão baixou mas diz que não é saudável ter os dois valores muito próximos. E eu que achava que era sinal de que se davam bem... Diz também que não é bom para as pessoinhas terem pulsações acima dos 100 em repouso e que também não é grande espingarda sentirmos o nosso coração a bater e eu que achava que era sinal que estávamos vivos.

Pois que o programa de festas inclui duplicar os happy pills (yuppiiiiiii), mais uma página A4 de análises para juntar à página anterior e um electrocardiograma hopler (nome chique, pá!) que consiste na coisa agradável de andar 24h ligada a uma maquineta que regista a actividade do meu pequenito coração de passarinho. Pode ser que como este exame é mais preciso que os anteriores, apareça o nome do responsável pelo estrago. Eu ainda tenho fezada na indemnização... É que motivos para isto ninguém consegue descobrir, portanto, ou me dão o nome do responsável e eu mudo para as Caraíbas ou me trazem a equipa do House. Either one is fine by me... Até porque Dr. informou que a estatística diz que em 96% dos casos não se consegue apurar a causa. Só se tratam os sintomas. Não descobre, pardon my french, my ass!!! Ele deve achar que eu vou passar o resto da minha vida a achar que tenho mais probabilidades de quinar a qualquer momento que o resto do pessoalinho. Deve ser verdade...

Até tudo isto estar feito e a causa apurada, evitar os 'nerbos' e as 'ansiedezas'.. Tá bem, tá... 

terça-feira, 17 de maio de 2011

"São Jorge por favor me empresta um dragão..."


Hoje apetecia-me entender porque consigo viver sem ti com relativa facilidade mas não consigo evitar que a pulsação dispare quando me dizes a frase mais horrorosa de todos os tempos: "Olá miúda..."

E, já agora, se não desse muito trabalhinho, podias-me dizer que caraças queres de mim?

domingo, 15 de maio de 2011

A obstinação é que é, definitivamente, genética*

Eu já me fartei, ao longo de anos na blogosfera, em sítios diferentes, de escrever sobre a minha avó, mas a mulher tem bué de histórias e, let's face it, faz-me uma falta do caraças. Além de bonita pra xuxu, era também talentosa. A minha avó era costureira. Se fosse hoje, a minha avó era estilista, uma vez que era ela, na maioria das vezes, que desenhava os modelos, os cortava e os confeccionava. Mas há 60 anos não havia estilistas. Havia costureiras e, upa upa, modistas. A minha avó era costureira. O que eu acho que nunca vos disse é que eu vivi com ela até aos 5 anos (e, se dependesse dela, lá ficaria até aos 18, altura em que iria para a faculdade, que ela tinha tudo já estabelecido).

Ora, uma menina a crescer numa quinta, já não era pêra doce que eu de anjo só tinha mesmo o aspecto. Agora, imaginem lá como é que se costura com um trambolhinho atrás. Tudo o que eu queria era aprender com ela a costurar. E devia ser chata para caraças, que eu era da idade do meu filho quando ela me ensinou a bordar. Não sem antes ter passado pela fase de descobrir os alfinetes e agulhas perdidos (se fosse hoje a protecção de menores, tinha-me tirado de lá!) que ela dizia que eu era mais eficaz que Santo António amarrado ou virado do avesso ou lá o que era.

Portanto, eu antes dos 10 anos, sabia bordar, tirar moldes e cortar. Tudo isto arrancado a ferros que ela não queria ensinar-me. Só houve uma coisa em que ela nunca vergou. A coisa que eu queria mais que tudo. Nunca me foi permitido usar as agulhas de coser. Por muito que eu lhe pedisse que me ensinasse a coser, ela sempre recusou. A máquina de costura, então, era absolutamente off-limits. Tudo o que eu quisesse, ela fazia-me mas jamais me ensinava. As minhas bonecas tinham enxovais completos. Mas feitos por ela! 

O argumento era simples. A neta dela nunca seria como ela. A neta dela nunca seria costureira. A neta dela ia para a universidade e não iria fazer vestidos para senhoras. E eu olhava para ela, altiva, arrogante, tão mais imponente que as senhoras que eu via no seu quarto de costura, e não entendia o que ela queria dizer. Se quem mandava naquele espaço era ela, se quem dizia como seria o vestido ou a saia ou o que quer que fosse era ela, se as senhoras a tratavam a ela por 'senhora dona' e ela se dirigia a elas pelo nome próprio, se era ela que tinha o poder de pegar num pedaço de tecido e fazer vestidos de noiva sem ser estilo suspiro gigante (ainda me lembro do vestido da Lurdes... Curto... Azul... Há 30 anos... E eu achei que era o vestido de noiva mais bonito do mundo...), porque é que eu não podia ser como ela? Porque não!

Portanto, eu cresci e fui para a universidade. Tudo de acordo com o plano. Mas também aprendi a coser tudo à mão. À minha custa que não havia cá ensinamentos para ninguém, à cautela. Muita agulha enfiei eu nos dedos. Muita caralhada disse eu. Se ela estivesse por perto, a única coisa que me dizia era: "Devias usar um dedal". Daí que as únicas coisas que me eram destinadas, à partida, em 'testamento' eram (i) a aliança de casamento dela porque só servia a mim e à minha irmã mas foi a mim que ela despachou o 'casamento' com a frase "vive com ele, está casada" e (ii) os dedais que sobraram após ser entregue um a cada um dos interessados. Será bom de ver que eu nunca usei um cabrão de um dedal e não tenciono usar mas a ironia da coisa é essa mesmo.

Este fim-de-semana, Picolé foi para a avó (santa sogra, abençoada hora em que me separei do filho dela que ganhei uma mãe!) para eu poder descansar das minha maleitas. Eu tinha umas fronhas novas engendradas para as almofadas da sala. Metade da 1ª almofada foi cosida à mãozinha. Mas depois pensei para comigo: "Ice Maria, tu compraste uma mini máquina de costura. Não deve ser preciso ser engenheiro da NASA para trabalhar com aquela merda..." Sim, demorei o dobro do tempo a coser a porra da metade que faltava. Desatinei. Estive prestes a atirar a máquina para o lixo. Gritei-lhe e chamei-lhe filha de uma senhora de cama incerta. Achei muitas vezes que de certezinha que ficaria mais perfeito se eu tivesse cosido à mão. Mas, no fim, saí vitoriosa. A fronha da almofada está ali altaneira e orgulhosa no sofá a olhar para mim e eu estou a olhar para o móvel da máquina de costura da avó que ocupa lugar de destaque na minha sala e serve de mesa para a aparelhagem. Estou a olhar e a pensar que um dia arranjo coragem e uso-a. A singer que existe há muito mais tempo que eu... Um dia**... 

*Há quem lhe chame teimosia...
**Mas sempre convencida que me vai cair um raio em cima!

Eu não sou nada bonita mas tenho bons genes. Lá isso tenho...

"Um longo domingo de noivado": A Audrey Tautou é muita parecida com a minha avó.

"O fabuloso destino de Amélie": A Audrey Tautou é igual à minha irmã.

sábado, 14 de maio de 2011

Just what the doctor didn't recommended...

Hoje já me fizeste rir, sorrir, praguejar, subir a tensão e ter palpitações. Assim, de repente, parece-me que era a isto que a 'Callie' se referia quando mencionava as coisas a evitar nos próximos tempos...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

And most important of all, you can't use our friends as messengers.*

"If you miss me, you can't text, you can't email, you can't post it on my Facebook wall. If you really miss me, you come and see me."
(No Strings Attached)

Não é que não me divirta, que diverte. Assim como prova a minha teoria de que alcançamos sempre as respostas que queremos se não fizermos as perguntas. Mas por amor da santa, de que será que tens tanto medo? Eu não mordo... Sabes bem que não mordo... Vá... Tá bem... Mas não conta, n'é? Usar amigos comuns já me parece letra de música, não?* O teu azar é que escolheste tão bem o gaijo que te saiu o pior Cupido na rifa: aquele que não tem tento na língua. Eu? Eu acho fofinho dois marmanjões armados em donzelas. Mas se estão à espera que eu responda validamente, espero que haja ainda muito para beber nos sítios por onde andam...***

*Este post foi escrito hoje, à hora de almoço. Agradeçam ao Blogger só ter sido publicado agora!
**"I hear you're asking around if I am anywhere to be found"
***E a pena de vocês mesmos com que devem ter acordado? Até a mim me dói a cabeça só de pensar...

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Hoje, os Happy Pills não estão a funcionar...

Mas lá está, uma pessoinha não pode pegar num evento internacional que estava fadado ao fiasco e transformá-lo num potencial êxito, em 4 horas, sem um bocadito e adrenalina extra, não é? 
E diz que a adrenalina faz o coração acelerar, certo? 
Pois...

Diz que o blogger está escangalhado há horas...

Esta gente não sabe que eu não me posso enervar?

terça-feira, 10 de maio de 2011

Será que ele lhe quer fazer a folha?

Hoje, enquanto fui fazer o exame, Picolé ficou com a avó. E, no seu jeito despachado, explicou-lhe o quanto estava preocupado com o meu coração. Porque se o meu coração doía era porque eu estava apaixonada e ele não sabia por quem. É fascinante como ninguém me lê como ele...

Not even God can sink this ship...

A cardiologista era a fotocópia da Callie Torres mas brasileira. Sim, a minha mente tem esta capacidade de tergiversar mesmo quando estou acagaçada a pensar que vou morrer a qualquer momento. Manda-me despir e pôr numa determinada posição (antes de ontem, a última vez que me tinham pedido tal coisa também me deve ter subido a te(n)são). Vamos começar e a fatídica pergunta: "Está calma?" Sim, Callie, estou aqui de mama esquerda ao léu enquanto passeias a maquineta das ecografias no meu coração para determinares se tenho qualquer coisa que me faça quinar sem aviso prévio, mas estou na boa, pá.

Medições, corações a bater (a última vez que tinha ouvido um coração a bater numa eco foi o de Picolé... Saudades...), vira, mexe, remexe, revira. Levanta e veste.

- Sim, Doutora?
- Faz desporto?
- Não faço grande coisa. Ando e comecei a correr um bocadinho.
- Não corra. Para já não. (Lá está! O desporto faz mal. Eu sempre achei e depois disto tenho a certeza!)
- E???
- Não vejo nada no coração. Está com os batimentos altos, sim, mas não vejo nenhuma deformação. É uma pessoa ansiosa?
- Hummmm... Talvez ultimamente...
- Vai marcar consulta com a médica que a assistiu. Até lá, vai ter que se manter longe de qualquer coisa que lhe cause ansiedade... (sorriso à lá Mona Lisa)
- Tá bem. Obrigada...

1. Ainda não foi desta que me partiram o coração de forma a ser visível numa ecocardiografia (Take that, Mr. Big!!!)
2. Será que a Callie acredita mesmo que eu consiga manter distância das coisas que me causam ansiedade? Really? Seriously? A mulher esquadrinhou o meu órgão vital principal e não aprendeu nada acerca de mim? Se bem que aquele sorriso à lá Mona Lisa...
3. Segunda-feira lá volto eu para ser esquadrinhada em busca da causa da minha near death experience. Se continuarmos a eliminar hipóteses desta maneira, não tarda, isto vira caso para o Dr. House...

Obrigada a vocês todos por se preocuparem. It means more than I can say...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

And mine is damaged

Ainda não sei a extensão dos danos. Sei que dei por mim a passar o dia no hospital com pessoas a enfiarem-me comprimidos pela boca abaixo, a picarem-me, a fazerem-me electrocardiogramas ao som de Evanescense, a mandarem-me dormir. A tudo obedeci cegamente. Quando se entra num consultório e se vê pânico na cara de um médico que se levanta de um salto e chama 2 enfermeiros e diz: "Quero esta menina deitada no outro quarto e uma avaliação completa de todos os parâmetros". Quando essa avaliação começa quando nos enfiam um calmante e um comprimido de nitroglicerina pela goela abaixo, nos apagam a luz e nos dizem "durma meia-hora. Descanse...", nós obedecemos e pensamos que o fim está próximo.

Ao fim do dia, mandam-me para casa, com comprimidos, para regressar amanhã onde novos exames aguardam. Mais um batalhão de gente a esquadrinhar o meu coração, tentando perceber o que de errado de se passa. Mais um batalhão para ver coisas como taquicardias, arritmias ventriculares (afinal não eram contracção ventriculares prematuras. Pelo menos, esse termo não usaram, hoje...), cardiopatias, sopros e afins que me vou lembrando aos poucos...

 E, com certeza, vai voltar a pergunta repetida até à exaustão: "Enervou-se com quê?", "Com nada...", "Alguma coisa deve ter sido para o coração estar sob essa pressão...". E a mim apetece-me perguntar se um coração desiludido, cansado e partido também aparece nos gráficos que saem das maquinetas. 

domingo, 8 de maio de 2011

Afinal não era mesmo paixão!!!

Eu andava cá desconfiada... Eu até escrevi sobre isso e tudo

Agora adivinhem quem tem que marcar consulta urgente no cardiologista derivado de hoje ter quase esticado o pernil? Pois... Essa mesmo. 

Resta saber se a coisa já estava danificada e o Mr. Big acabou de estragar. Ou se o gaijo é responsável pelos danos todos. 

*Será que se pode pedir indemnizações por estas coisas?

sábado, 7 de maio de 2011

Eu já disse isto mas ninguém me acreditou...

O segredo para começar a entender/chegar a um gaijo, é embebedá-lo
No dia a seguir, ele que se aguente à bomboca com a ressaca e as dores de cabeça e assim*.

*É que até a mim me está já a doer só de imaginar a pena com que um que eu cá sei vai acordar dele mesmo...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Mensagens subliminares

Quanto mais me tentas evitar e fingir que me ignoras mais me insuflas o ego. Mas isso é uma coisa que era preciso eu explicar-te e eu não estou para ti. Podes deixar mensagem após o sinal...

Ah... É verdade... Já enches o silêncio com recados balbuciados com meias-palavras por interposta pessoa. Tinha-me esquecido...

Palavras tuas, um sorriso meu - 18

"depois, depois de tudo, há uma altura, um momento em que voltas a apanhar o coração que alguém deixou cair, voltas a encaixá-lo dentro de ti, respiras fundo e esperas que ele volte a bater metodicamente e sem ajuda artificial, dás por ti a olhar para o espelho, para a tua volta, para ti e pensas que não estás para isso, nunca estiveste, nunca mais irás estar, como é que algum dia estiveste para isso?"

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Picolé e o Peso Pesado

Adora. Comentário de ontem:

"Mãe, isto está a correr bem. Eles já estão a ficar fininhos como nós!"

Se eu tinha nascido nos States, já tinha uns 10 Oscars na lareira...

A verdade é que ele mudou os comportamentos. A verdade é que há coincidências que eu não consigo explicar e toda a gente sabe que eu não acredito lá muito em coincidências. A verdade é que na minha cabeça ele me parece baralhado. A verdade é que eu não sou lá muito boa pessoa. A verdade é que eu acredito que ele sente a minha falta duma forma como nunca imaginou que sentiria. A verdade é que eu acho que ele não sabe o que há-de fazer quanto a isso.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Tu estudaste os sinais da tragédia na faculdade, não estudaste, Ice Maria?

Temos então um amigo no gmail a perguntar se pode dar o meu número a um gaijo. São negócios, senhores. Negócios, tá? E assim sendo, disse que sim. Ao que amigo me responde:

Amigo: O teu número já está nas obras.
Ice: Ao menos os trolhas são alguma coisa de jeito?
Amigo: É para um engenheiro. Não sei se é giro
Ice: Bolas... Nada de fotografias? Link do facebook?
Amigo:    nunca o vi
IceTu não és meu amigo...
Amigobolas... arranjo-te um engenheiro de mão beijada...
Ice: Pronto, pronto... Deixa... Pode ser que não seja sósia do Pinto da Costa...
Amigoah... pelo que me estão a dizer o aspecto daquele gajo. oh porra. como é que ele se chama. o gajo que fez o van helsing. não me lembro
Ice: Anthony Hopkins? (Desculpem lá mas a minha cultura é clássica! Benefits of a classical education, tá? Se me falam de van Helsing, a minha mente foge para o Drácula de Bram Stoker!)
Amigonão. isso era o lobisomem
Ice: O HUGH JACKMAN????
Amigosim. isso. mas com barba. curta. tipo, barba por fazer
Ice: Dá-lhe o meu número. Já!!!
Amigoai mãe

IceOuve lá... Como é que se chama o teu engenheiro 'Hugo'?
Amigo: Não sei.
IceE como é que eu sei se é ele que me está a ligar?
Amigoprovavelmente dirá que vai da parte do engenheiro V. (!!!!!)

Considerando que o último que veio 'da parte' de um engenheiro V. foi mesmo o Mr. Big e nós temos ainda bem presente como isso correu bem, eu diria que está na hora de rever a matéria de Introdução aos Estudos Literários, secção da tragédia: se analisarmos bem os sinais ao longo do enredo, facilmente conseguimos ver todos os indícios da desgraceira que vai ser. Eu diria que no caso do van Helsing, já temos a seguinte pontuação:

Indicio de Tragédia: 1
Indicio de Final Feliz: 0

O Universo sabe que se eu regesse as minhas decisões com base nesta análise literária, muita merda se evitaria. É que para quem estudou isto, há sinais tão evidentes que nunca nos escapam. Nós (eu) é que achamos que é tudo fruto da nossa imaginação efervescente e dos muitos livros que lemos.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Eu posso ser uma merda a escolher homens

Mas os meus amigos - os verdadeiros, aqueles que me lêem a alma - são os melhores do mundo.
Os meus amigos não me deixam chorar sozinha.
Os meus amigos, lá longe, ligam-me só para saber se está a chover muito.
Os meus amigos passam horas sentados no tapete da cozinha, em pleno Inverno, a falar comigo.
Os meus amigos sabem todas as cagadas que fiz nesta vida e mesmo assim gostam de mim.
Os meus amigos levam fogões camping gaz para os velórios.
Os meus amigos torcem sempre pelo meu final feliz.
Os meus amigos entendem se eu não quiser falar de alguma coisa e não se chateiam com isso.
Os meus amigos fazem centenas de quilómetros só para me dar a mão e voltar a fazer mais umas centenas sem dormir.

E eu sei que nem sempre lhes digo o quanto os amo mas, hoje, mais do que nunca, sinto-me a mulher mais sortuda do mundo por os ter. E, hoje, mais do que nunca, sei que embora eu pudesse sobreviver sem eles, nunca na vida poderia, realmente, viver se eles não existissem.

10 Luas

10 Luas é o tempo que os Minimeus têm que esperar, depois do primeiro beijo, para se voltar a beijar. Esta é a forma que os pequenos seres têm de testar se o seu desejo e a confiança nos seus sentimentos é verdadeira.

Quando acabei de ver o filme achei que, se calhar, era assim que devíamos aferir os nossos sentimentos. Com calma, com tempo...

Mas depois lembrei-me que, em certos casos, nem 66 luas chegam...

domingo, 1 de maio de 2011

Eu não devo ser mesmo boa pessoa...

O Céu ganhou uma estrela nova e eu estou, há mais de uma hora, aqui sentada, a pensar que raio hei-de vestir.

O que também pode ser uma boa desculpa para adiar ter de escolher o que dizer...

sábado, 30 de abril de 2011

Se ao menos parasse de chover...

O homem com quem eu enganei uma mesa inteira de gaijos num jogo de poker está, neste momento, a morrer. O este momento não é uma forma de expressão. É mesmo a realidade. Pode ser daqui a um minuto, uma hora ou uma noite. Mas não há qualquer esperança de mais. Nem esperança nem vontade. É que o homem que pegou no meu filho ao colo e a quem o meu filho também chamava avô, está a sofrer os mesmo horrores que o verdadeiro avô sofreu. E eu entendo a filha tão bem quando me diz que só queria que ele tivesse um botão para o desligar e acabar com tudo.

O homem que sorria marotamente enquanto limpávamos as fichas dos outros gaijos todos numa mesa de poker, provavelmente, não passa dos próximos dias e eu só consigo pensar que a vida é demasiado curta para eu me chatear. Demasiado curta...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

...Mas só me dá para gostar disto!


Eu devia querer isto...


Deve ser do céu cinzento ou assim...

Mas acordei com saudades. E se a galhofa do casamento real serviu como anestesiante durante a manhã, à tarde, sinto-me a sufocar e a fraquejar. Deve ser da chuva que ameaça cair ou dos trovões que se ouvem ao longe...

E depois só tenho que me lembrar que não tenho saudades tuas. Tenho saudades do outro que eras para se me acabarem as tentações.

É que nem sei que título dar a isto...

"There's a fine, fine line between a lover and a friend; 





quinta-feira, 28 de abril de 2011

Ainda dos nomes que me chamam

Alguma alma iluminada, achou que era uma brilhante ideia dar-me acesso ao back office de uma coisa que pode mandar pelos ares o site de uma grande empresa deste país. Eu, que sei a capacidade destruidora que se alberga na ponta dos meus dedos, acho que é uma péssima ideia, mas os senhores lá devem saber.

Posto isto, dei comigo, ao raiar da aurora, trancafiada numa sala sozinha com o senhor responsável por fazer com que eu detenha os mínimos olímpicos de conhecimentos para não calhar cocó. Nem eu bem tinha olhado para o ecrã onde ele me começava a explicar alguns passos básicos e começam a desaparecer cenas lá do coisinho. A minha primeira reacção foi mesmo olhar para o lado, começar a afastar-me e assobiar. Já ele, seguro de si e altaneiro, saca do seu I-phone, prime uma tecla e diz a maravilhosa frase:

- Zé? Olá. Estou aqui com um problema técnico!

Eu baixei a cara, perdida de riso, e perguntei a mim mesma se na capital deste país já seria do conhecimento geral este meu epíteto ou se era uma coisa restrita a um circulo reservado de Profs com o mesmo nome.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

"Os monstros existem. Os fantasmas também. Eles vivem dentro de nós. E, às vezes, eles ganham."*

E, hoje, ver o teu nome espalhado por todo o meu ecrã afora, incomoda-me. Ainda não me dói, mas mói. E estou cansada. Sobretudo, é isso: estou cansada. Cansada do tempo que esperei o desfecho, cansada da desilusão, cansada... Hoje mói-me e cansa-me o teu nome. Com a mesma intensidade com que, um dia, o desejei ler.

*Stephen King

E juro que depois disto não gozo mais com os nomes queridos que me atribuem mas assim talvez percebam porque opto por esta postura

Eu, como toda a gente, tenho nome próprio. Só que é tão raro usarem-no que eu até estremeço quando o ouço. Tão raro, tão raro, tão raro que quando a Dear John Letter chegou encimada pelo nome de baptismo desta que vos escreve, ainda pensei 2 vezes se não seria engano.

A partir dos 17 deixei de ter nome próprio. Essa é a realidade. Tenho um nome tão vulgar que na minha turma de faculdade éramos mais de uma dezena. Como o meu apelido soava bem numa gaija, toda a gente me tratava pelo apelido. A faculdade acabou e acho que quase ninguém com quem eu me dava sabia o meu nome próprio. O cúmulo mesmo foi o namorado de uma das minhas melhores amigas, num almoço em casa do meu pai, já anos depois da faculdade acabar, tratar-me pelo apelido e depois da milionésima em que olhei tanto eu como o progenitor, o meu pai dizer "tratem-na pelo nome que já me dói o pescoço de tanto olhar para vocês!" e o rapazinho muito encavacado, olhar para nós e dizer: " Mas eu pensava que este era o nome dela!"

Depois disso, em alguns casos, o apelido foi abreviado, outros começaram-me a tratar por alcunhas, os enamorados acham sempre que devo ser tratada por algum nome estranho, frequentemente, pouco adequado a mim. Os que não usam nomes desadequados, optam pelo 'miúda' que me faz sempre lembrar o meu pai e me põe sentimentos meios confusos nas primeiras vezes. Mas também ninguém me manda gostar sempre de homens mais velhos, pois não?

Basicamente, eu sou uma mulher sem nome ou, visto por outro prisma, a mulher de todos os nomes. Sendo que o mais raro de todos a ser usado é mesmo o nome próprio. Tão raro que a minha assinatura oficial, aquela séria que me garante dinheiro e empréstimos e casar se bem me aprouver, limita-se a ser a inicial do nome próprio e o meu apelido.

O Turno da Noite

O homem deve estar, de facto, apostado em me elevar a auto-estima. É que se ontem eu era fofinha, a mensagem de bom dia, de hoje, incluía um upgrade para linda. 

Se bem que a segunda é tão verdadeira como a primeira. Mas, enfim, uma mulher gosta sempre de ser elogiada mesmo que saiba que o elogio é mentira. 

P.S.: Não, não me considero feia. Considero-me uma mulher interessante, gira e atraente. Daí a bonita, é um grande passo. Daí a linda, é um salto de uma motorizada por cima de 10 camiões de longo curso.

P.S.2: Não. Não o destratei. Pelo contrário, dirigi-me a ele tratando-o pelo nome próprio. Eu tenho fé na inteligência das pessoas. Ele chaga lá.

E de todos os posts que eu escrevi, em todas as minhas vidas blogosféricas, este continua a ser o mais irónico, o mais verdadeiro e o que não me sai da cabeça


terça-feira, 26 de abril de 2011

And now for something completely different...

Ritmargaride e SSV são chamadas à recepção que eu preciso de vocês para isto!

Temos então que recebi uma mensagem no Facebook. Uma mensagem de um senhor que, doravante, designaremos por Turno da Noite.

(Nesta altura, temos que Rit já percebeu porque foi chamada à colação. Eu já chego a ti, SSV.)

Por motivos que agora não interessam nada, eu tenho andada arredada da supra-citada rede social. Hoje, e porque a mutilação genital feminina é coisinha para me horripilar, dei o ar da minha graça.

Ora, o Turno da Noite decidiu expressar o seu contentamento enviando-me uma mensagem onde anunciava que já tinha saudades, usando como vocativo o termo 'Fofinha'!

Quem me conhece, minimamente, sabe que tal termo é coisinha para me arrepiar os pelos da nuca. Tolhe-me o cérebro. Eu não sei responder a uma pessoa que me chama 'fofinha'. 

Perdoem-me aqueles que usam o termo ou que gostam que o usem em relação a si, mas não dá. Sinto-me assim como um urso de peluche que gostamos muito quando recebemos mas depois atiramos para um canto e nunca mais lhe pegamos. Penso sempre que o fazem porque não sabem o meu nome. Olhem, não sei. Pára-se-me o cérebro, o que é que eu hei-de fazer?

Além do mais, quem me conhece, minimamente, sabe que tal expressão adequa-se tanto a mim como chamar Nero a um pinsher anão bebé (SSV, é esta a tua deixa!)! Olhai para a minha imagem de perfil, fáxavor! É um rochedo gelado, tá? Por algum motivo é uma pedra de gelo gigante e não é por as pedras de gelo ser agradáveis ao toque, certo?

Eu respondi-lhe usando 'kiduxo'. Espero que ele entenda a dica, senão amanhã, chamo-lhe 'pequenito' e acho que nenhum homem gosta que se use essa palavra em relação a si...

Adoro quando me enfiam o termómetro num sitio onde o sol não brilha para me tirarem a temperatura

Morna. Morninha. Lamentamos se esperavam que um 'Hey Kid' fosse despoletar um arroubo de paixão ou de raiva. Disso não temos. Temos uma enxaqueca, se quiserem, mas mais que isso está difícil nos dias que correm. Até porque nem foi inesperado. Era até bastante previsível. Nunca pensei foi que fosse tão cedo.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

For the heart is an organ of fire*

"Aprendi que essas coisas não me afectam. Foi aí que surgiu o nome Iceberg. Porque eu fiquei seriamente convicta que alguém me teria substituído o coração por um bloco de gelo. Pior, um bloco de gelo irónico que consegue rir dessas coisas."

Eu ando desde ontem à espera que o céu me caia na cabeça. Eu já cheguei mesmo a sentar-me sozinha, em silêncio, e a dizer a mim mesma: Agora, chora! Trataram-te mal, como nunca tinhas sido tratada, chora! Nada.

Iceberg... Eu escolhi o nome por causa desse dia. Pela minha incapacidade de sentir fosse o que fosse depois de levar uma tampa de um homem. Essa foi a primeira tampa que o Mr. Big me deu. O homem que me fez assumir o nome de um bloco de gelo foi o mesmo que eu acreditei que seria capaz de o derreter. Curiosamente, parece que ao agir como agiu, tudo o que conseguiu foi impedir que o coração de gelo se partisse, mantendo-o preservado no seu Iceberg gelado, intacto e inatingível. 

Eu bem continuo à espera da vontade incontrolável de chorar, mas tudo o que sinto é uma desilusão imensa, uma pena imensa por pessoas que vivem vidas pela metade e raiva... Muita raiva. Porque estas merdas tiram a uma gayjja a capacidade de acreditar. Há um episódio no Sex and the City em que a Samantha se envolve com um homem que é depois descrito como "He's the kind of man who faked a future to get what he wanted in the present". E isso é tão desnecessário. A mentira, a hipocrisia... Para quê? 

Há uns dias, eu dizia a alguém que o Mr. Big estava a fazer pontaria aos meus dois órgãos vitais: o meu coração e o meu orgulho. Até ao momento, parece que só atingiu um. Mas eu, tal como os gauleses, continuo cheia de medo que o céu me caia na cabeça.

*The English Patient

Coisa que deixam uma gaija animada

Parece que imbuídos do espírito da Páscoa e do voltar à vida, estes senhores decidiram voltar a escrever. Parecendo que não, é coisa boa. Resta saber até quando lhes dura a tesão do mijo!

Algumas mulheres são tão simples que eles não acreditam

Aqui há uns meses, dei comigo sentada a uma mesa a olhar para o Mr. Big e a pensar: "Eu conheço esta pessoa há mais de um ano. Muito, provavelmente, vou dormir com ele esta noite e nunca o vi comer! Eu não sei se ele tem maneiras à mesa!!!!"

São assim as relações, hoje em dia. A facilidade de acesso às novas tecnologias faz com que saibamos tudo (ou pensemos que saibamos tudo) de uma pessoa e criam-se laços que, de outra forma, seriam muito mais difíceis. 

Antigamente, nós conhecíamos uma pessoa em casa de amigos e as relações evoluíam a um ritmo lento, com telefones fixos, cartas no caso de haver distância e um esforço titânico para haver encontros.

Agora, conhecemos uma pessoa em casa de amigos e trocamos telemóveis, endereços de correio electrónico, facebook, A partir daí começamos com sms's, emails, piadas nos murais e avançamos para conversas intimistas em msn, telemóvel. Os encontros são esporádicos. 

No meio disto tudo, nós acabamos por saber os meandros da alma de alguém sem sabermos  o básico. E por básico, falo das pequenas coisas: se rói as unhas, como cruza as pernas, se olha nos olhos, se segura o garfo com a mão esquerda ou com a direita. Essas pequenas coisas.

E, embora pareça estranho, quando a coisa dá para o torto, é nessas pequenas coisas que eu penso*. E ontem, ao ler a maior sacanice à face da terra com acompanhamento de uma deliciosa cobardia, a única coisa em que eu conseguia pensar, a única resposta que eu queria ter e a única pergunta que me atravessava a mente era: és dextro ou canhoto? 

Eu juro que forcei a minha mente a pensar em coisas mais apropriadamente ressabiadas, tipo: és um canalha! Porque é que me enganaste? Porque me iludiste? Com quem estiveste? Quem é ela? Tentei. Com grande esforço até. Mas a única coisa que eu queria realmente saber era se ele era dextro ou canhoto. E se não desse muito trabalho como era a letra... 

Claro que, fiel aos meus princípios de absoluta sinceridade, partilhei isso com a pessoa em questão. Acha que eu estou louca. Porque é que as pessoas não acreditam na hipótese mais simples?

E já não vou falar das grandes coisas. Das ideias pré-concebidas acerca do outro baseadas em experiências passadas. Essas vou deixar para mais tarde que essas é que me estão aqui a refoder.

Break-up rules 4

Break-up que se preze tem uma Dear John letter. Eu recebi a minha, hoje à tarde. Foi de tal forma que acho que o Mr. Big conseguiu em 3 ou 4 parágrafos acabar com o meu desgosto amoroso. Talvez amanhã, eu acorde lavada em lágrimas e assim, mas neste momento apenas sinto incredulidade. É que pior do que me tentarem passar por parva, é conseguirem. É que muitos já tentaram, poucos conseguiram e só um conseguiu durante tanto tempo.

Para além de incredulidade, sinto repugnância (?). Não sei se será a palavra certa, mas pensar na covardia a que eu assisti hoje e pensar que essa pessoa, talvez, ainda estivesse convencido de que estava a ser muito frontal e directo, é coisa para me revolver as entranhas.

Por outro lado, sinto-me assim o Nirvana das mulheres. É que quem dedica um ano a mentir, a omitir, a seduzir e a encantar uma mulher com um único intuito que só se concretiza um ano depois, ou tem sérios problemas mentais ou tem muito pouco com que se ocupar ou acha que essa mulher é o troféu que lhe falta. Eu nunca tinha sido mulher-troféu até hoje. Mas lá está vivendo e aprendendo... Vivendo e aprendendo...

E agora fico na dúvida: isto de ser mulher-troféu é coisinha para me lisonjear ou para me ultrajar?

domingo, 24 de abril de 2011

Raisparta a Páscoa e a ressurreição e essas coisas

Pois que temos Mr. Big de volta ao país. E isso, parecendo que não, depois de 22 dias, é coisa para me abalar as fundações até ao núcleo do planeta Iceberg.

Break-up rules 3

Quando um relacionamento acaba, tão ou mais difícil que as saudades que temos da outra parte, são as saudades dos sonhos que tivemos com essa pessoa. Há 3 relações paralelas quando nos envolvemos com uma pessoa: a real e as duas imaginadas e esperadas por cada uma das partes. No final, cada um de nós tem que acabar pelo menos 2 relações por cada relacionamento. Aquela que mantivemos connosco, é aquela que demora mais tempo a esquecer. 

Sempre ouvi dizer que o Universo não dorme...