quarta-feira, 20 de abril de 2011

Temos homem

Picolé pede para repetir a lasanha ao jantar.

Tia Tété está a servir. Olha para mim. Pergunta se eu acho que aquilo que ela está a pôr no prato não é demais. Antes que eu consiga responder, o pikeno responde por mim:

- Não! Eu aguento-me!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Carta VI - Os amantes

Ora então, hoje em plena Primark, tinha eu uma loira aos berros para um telemóvel a marcar-me uma consulta numa bruxa. Perante os olhares incrédulos de quem passava pelos corredores atulhados de t-shirts e afins, a loira berrava que SIM. QUERIA MARCAR UMA CONSULTA PARA ICE MARIA BERG! Eu posso bem com isso... Ao fim ao cabo, mais humilhação menos humilhação... Temos então que aqui a vossa amiga vai a uma consulta na quinta-feira logo pela fresquinha. E como a minha vida é mesmo uma série de má qualidade mas de quem ninguém quer perder episódio, tenho a loira e a HK2 mortinhas por ir comigo. Aliás, disso não tenho escapatória.

Agora a parte que as outras duas não sabem. Quando a Maddie desapareceu, eu que sou gayjja (sim, agora neste blog escreve-se gayjja) muiiiiiiito ocupada, decidi fazer parte de uma 'expedição' (leia-se: grupo de pessoas desocupadas a um Domingo) que ia em busca de Maddie. Ora, se a mim me interessava o aspecto fáctico da coisa (tipo distâncias e janelas e expressões faciais e afins), houve alguém que, a determinada altura, achou que bom, bom, bom era chamarmos uma bruxa para ir ter connosco (eu nunca vos tentei convencer que os elementos da expedição eram pessoas normais, pois não?). E se bem acharam, melhor agiram e meia-hora depois, tinhamos uma bruxa atrelada (aposto que ficaram impressionados com o calibre das pessoas com quem me dou...). Ou será melhor dizer, andávamos atrelados a uma bruxa? Eu acho que calcorreámos quilómetros porque ela tinha um feeling que era para ali que havia uma pista. Obviamente, que a coisa acabou comigo e com a outra Loira (não é esta que fez a marcação agora) a gozar que nem umas perdidas sob os olhares fulminantes da bruxa que estava de piquete.

Anyway, aposto que já se estão a interrogar o que é que uma coisa tem a ver com a outra, não é? E a pensar que eu estou a tergiversar como de costume, não? Não! É que eu acho que a Bruxa para quem me marcaram a consulta na próxima quinta-feira é a mesma que estava de 'piquete' naquele domingo a long time ago. O que não augura nada de bom porque das duas uma, ou ela se lembra de mim e de que eu gozei com ela ou ela não se lembra. E não se lembrando e sendo, de facto, bruxa certificada, não deveria adivinhar? Talvez seja por estas e outras que estas coisas nunca me correm bem (eu já fiz um bruxo famoso tremer e esconder-se atrás de uma porta só de olhar para mim, tá????). É que eu sei exactamente qual o teste do algodão a realizar antes de lá entrar. Eu diria que isto promete...

Suponho que talvez ainda devesse estar agradecida por só se estragar um mês

Todas as mudanças na minha vida ocorrem sempre no 1º semestre do ano. Ali até 30 de Junho é um corropio de efemérides que nunca mais acaba. O 2º semestre é fraquito nisso. Tirando o nascimento do meu filho e mais meia-dúzia de aniversários pouco mais há a assinalar. Abril é tramado. Abril é aquele mês que é tão mau, tão mau, tão mau que se eu pensar nas efemérides do dia 18 de Abril nos últimos 4 anos não sei se ria se chore. Senão vejamos: 2008, estava a separar-me. 2009, estava sentada ao lado de uma cama de hospital sabendo que aquela pessoa não passava daquela noite. 2010, estava a rever e a tomar café, pela 1ª vez, com a pessoa que me tinha deixado 9 anos antes sem sequer uma Dear John letter. 2011, estava a descobrir que sou uma parva.

Eu gostaria de pedir encarecidamente a todos aqueles que até gostam de mim que daqui a um ano me recordem que Abril é mês para ficar sossegadinha, sentadinha no sofá e para não falar com ninguém. É que eu, à semelhança da autora do texto abaixo (curiosamente, escrito em Abril. Go figure?), tenho memória curta. 

TITANIC

Se há coisa que aprendi ao longo dos anos é que todos os homens da minha vida desaparecem. No inicio, isso deixava-me frustrada, achava que tinha algum problema mas hoje estou em paz com esse facto. As minhas amigas estranham a calma com que aceito essa situação. Procuram explicações que eu já não procuro, conformada que estou em nunca ver o final dos episódios desta grande série que é a minha vida.

Lembro-me do primeiro que saiu e do que chorei. Foi também o único a quem, praticamente, implorei em prantos que não fosse. A partir daí, aprendi que não podemos forçar ninguém a ficar, se essa pessoa não o quiser. Depois de se aceitar esse facto, podemos com (relativa) facilidade aceitar a saída das pessoas da nossa vida.

Umas vezes custa mais que outras a aceitar e já houve para todos os gostos: os que simplesmente se evaporaram, os que se apaixonaram, os que morreram, os que voltaram anos depois…

Se tenho alguma defeito? Devo ter bastantes. Há quem me acuse de ser intimidante (eu sei que é intimidadora, mas se me chamam intimidante quem sou eu para discordar?). E eu, aos 35 anos, tenho que admitir que aquela altivez arrogante que via na minha avó, no meu pai e que pensava ter saltado da primogénita desta geração para a minha irmã, é característica que me atribuem amiúde. No entanto, também tenho qualidades que parece que intimidam tanto ou mais que os defeitos.

Mas porque é que eu estou a contar tudo isto? Perguntam vocês. É simples. Porque eu sempre quis fazer uma tatuagem. Tive foi sempre dúvidas sobre o que seria ou se teria coragem para o fazer. Neste momento, resta-me apenas a segunda dúvida, porque a arranjar coragem, sei perfeitamente o que tatuarei e onde. Será no fundo das costas e será o seguinte:

Not even God can sink this ship!

E depois de o fazer, sento-me sossegadinha no sofá com uma caipirinha ou uma moranguinha e uma bela de uma música e fico à espera do iceberg!

Se ao menos estivesse sol...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

E passada a fase da raiva, chega a auto-comiseração

E eu precisava tanto que Picolé fosse dormir para eu poder chorar baba e ranho sossegada...

E esta fase é particularmente fodida. É que não só me lembra o tapete da desgraça onde gostamos de rebolar quando estamos nesta fase. Como me recorda a última vez que lá estive e que se abeirou do sacana do tapete. 

É uma fase tão fodida que eu até estou mentalmente a arranjar desculpas para não fazer o que tinha dito que ia fazer amanhã, só para ficar em casa mergulhada nesta puta...


Dúvida (im)pertinente 7

Porque é que as pessoas que se aproximam de mim, supostamente, pela minha inteligência passam o tempo a tentar passar-me atestados de estupidez? Acho que isso não é muito coerente mas sei que é, sem dúvida, muito cansativo...

Para o caso de haver mais alguém incomodado

Acerca dos dois cenários apresentados no post abaixo, a gerência informa que - tal como um segurança bem informado já avisara - é o segundo.

Só um filho da puta. Só mesmo mais um filho da puta...

We will be fine. Eventually, we will be fine...

You've got mail

Ver isto... Hoje... Bad idea... Really, really, really bad idea...
But then again, crying is good for... Something. I'm sure it must be good for something...


domingo, 17 de abril de 2011

Só falta te querer, te ganhar e te perder*

E de vez em quando, a minha mente recua 9 anos (bolas, já fez 9 anos) até aquela manhã em que o sms de 'bom dia' não chegou. Em que não houve nenhum telefonema. Recua até ao inicio daquela tarde de Fevereiro em que o telefone, finalmente, tocou. Recordo a voz fraca e o barulho de fundo de máquinas a emitir o bip bip que prova que há vida em nós. Um acidente. Vozes alteradas. Não, não pode telefonar, não pode falar. Ontem à noite. Um camião. Desligue isso, já. Não te preocupes. Vai ficar tudo bem. E a espera... Pois é... A minha mente recua ao dia a seguir a esse. Uma operação. O barulho das máquinas. Não te preocupes. Vai ficar tudo bem. A mãe dele, horas depois. Correu tudo bem. Não se preocupe. Não correu tudo bem. Eu devia ter-me preocupado.

Talvez seja por isto que, no fundo, eu prefira que sejas um filho da puta inominável. O maior cabrão à face da terra. É por isto que eu prefiro descobrir que foste a pessoa que mais me enganou até hoje. O que eu não posso, nem quero, ouvir é novamente o barulho de máquinas que me relembram que eu me devia ter preocupado.

Por uma vez, era bom que não começasse a chover no dia em que entro de férias...

Não foi desta vez...

I'm not getting any younger here, man...


(Eu não devia ter dormido a tarde toda...)

sábado, 16 de abril de 2011

Será que demora muito? Tenho ali um resto de vida à minha espera, pá!*

*Eu devo ser uma gaija muito difícil de deixar. Uma vez esperei 9 anos para me dizerem que afinal tinha acabado!**
**O que também prova que sou gaija que sabe esperar...

Last call

Depois de ter estado das 6 da tarde às 11 da noite num pub com camónes a pagar últimas rodadas e de ter que me levantar cedo para reunir com clientes, impõem-se alguns agradecimentos:

- A quem inventou a maquilhagem. Abençoadinha pessoa que criou toda aquela parafernália que transforma um caco humano numa mulher minimamente agradável à vista;

- Ao Felix Hoffman que desenvolveu um medicamento para aliviar o reumatismo do pai que mais tarde viria a ser comercializado pelo Bayer com o nome de Aspirina;

- Ao inventor do Guronsan e da coca-cola;

- Um grande beijinho também a quem inventou as máquinas de café de cápsula e os óculos escuros.

Agradecimentos feitos, vou ali arrastar-me até à garrafa de água e pensar na tragédia que se adivinha, novamente, para amanhã. E acender uma velinha a Santo António para ver se ele consegue fazer com que picolé se cale 10 segundos...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Filhoses de abóbora

Sonhei com filhoses de abóbora. Era dois sacos de supermercado cheios de filhoses de abóbora. Daquelas doces e fofas.
Estava sentada na minha secretária de casa. No ecrã do computador, as actualizações do Facebook que me indicavam o regresso dele. E eu, furiosa, amaldiçoando a família toda até às gerações pré-históricas. Foi quando olhei para o lado. Pousados em cima da mesa, os dois sacos com filhoses de abóbora. E eu sabia que eram dele. E só não sabia como lá tinham chegado.

Acordei com o Picolé a pedir-me para lhe abrir um saquinho dos piões bebé que eu lhe tinha trazido ontem à noite.
Tenho a certeza que Freud explicaria este sonho. Só não consigo é ver como é que ele lhe meteria sexo pelo meio. Se é um sonho premonitório, quererá dizer que voltamos a ter Prof. lá para o Natal? 

As filhoses eram boas...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Quando é que sabemos que a nossa vida é realmente estranha?

Quando a teoria que envolve uma invasão de extra-terrestres à Terra é a única explicação que faz sentido para uma determinada situação!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Mas se, por um lado, eu mantenho a postura zen, se eu deixasse um certo Prof., numa sala, sozinho, com algumas pessoas que eu conheço, acho que acabava assim...

Só pode ser bom sinal

Reparei agora que, ao décimo dia, deixei de contar as horas e os dias. 
Reparei agora que não me lembro a que dia deixei de perguntar se seria possível que não sentisse a minha falta.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Coisas que me dizem - 13

"O que é que tens vestido hoje? É que eu só vejo pernas..."

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Do Censos...

A minha parte preferida foi mesmo perguntarem-me se trabalhei na semana de 14 a 20 de Março...
Acreditem em mim que era a gargalhada que faltava para coroar este dia.

Sr. Censos, soubesse Vocelência a trabalheira que eu tive, precisamente, nessa semana e aposto que era gaijo para propor a minha aposentadoria. Vá por mim que se houve semana que eu trabalhei foi nessa. Ainda me lembro de um dia, a altas horas da noite, eu, perfeitamente imóvel e/ou petrificada - nem sei bem - a olhar para uma carga de trabalhos e a pensar: "Oh porra, ainda faltará muito tempo para deslindar este embróglio e deitar-me ali naquela cama?" Vá por mim, Sr. Censos, que não o engano, se houve missões que me fizeram suar as estopinhas foram as que eu abracei nessa semana. Trabalhinhos me dessem...

O que eu já me ri hoje, rende para a semana toda, pá.

Temos, então, que minhas amigas estão mais amofinadas que eu com minha vida amorosa. A história é simples e resume-se em 3 linhas:
"- Bom dia.
- Bom dia. Vou ali a outro país e já venho. Embarco, tipo, agora!
Já lá vão quase 10 dias e nem água vai nem água vem. The end!"
Elas gostariam de me ver tomar uma atitude. Armar a puta. Gritar e espernear. Not my style. Estou aqui que me mordo toda mas zen. Absolutamente zen. Estilo: se tiver que ser meu, será. E temos que admitir que esta desculpa, sempre é mais original que o vou ali comprar cigarros. Tem mais estilo. Há que admitir isso.

O problema é que as minhas Hello Kitties fofinhas sentem-se defraudadas. Elas viam coraçõezinhos e brilhinhos por todo o lado e agora sentem-se desiludidas. E eu entendo isso. Só que essa desilusão fá-las tomar atitudes e elaborar planos mirabolantes para descobrir a data de regresso daquele que se foi. Sim, que eu danada que estava naquela manhã, há muitas horas atrás, recusei-me a perguntar. O que as miúdas se esquecem é que:

a) Eu sou a gaja menos gaja que existe à face da terra! Logo, aqueles pormenores que qualquer gaja guardaria para usar mais tarde, a mim desvanecem-se como água em solo poroso.

b) Iceberg + Plano = Coyote = Barra de dinamite = Ferimento auto-infligido.

Ou seja, em 24 horas foram elaborados 2 planos infalíveis. O primeiro acabou com um telemóvel quase enfiado dentro de uma fritadeira industrial. No segundo, a coisa correu tão bem, mas tão bem, que o mais semelhante ao resultado do plano é mesmo um sketch do Bruno Aleixo. Aliás, o Bruno Aleixo que me desculpe mas nem ele conseguiria um 'flop' destas proporções. 

Eu digo-vos, o que eu já me ri, hoje, ao longo do dia, com o relato do resultado do plano é coisinha para durar muitos e muitos dias. Talvez seja por isto que não se morre de amor. Porque quando pensamos que não aguentamos mais uma desilusão, que não teremos força para nem mais um dia, há alguém que nos faz gargalhar. Há alguém que nos faz ver que na vida há mais do que a paixão. Há sempre alguém que nos faz ver que "aunque éste sea el último dolor que ella me causa, / y éstos sean los últimos versos que yo le escribo", a vida continua e mesmo que a coisa tenha corrido mesmo muito mal, será sempre uma boa história para contar.